segunda, 11 de dezembro de 2017
Saúde
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Pesquisa aponta que 65% das pessoas adiariam planos de gravidez por medo da zika

Da redação com assessoria / 05 de abril de 2016
Foto: Arquivo pessoal
Depois de 11 anos do primeiro filho, Genilda Silva de Almeida começou 2016 com um plano: engravidar e dar a Luís Felipe um irmãozinho. O planejamento durou pouco tempo. Técnica em enfermagem com atuação na zona rural do município paraibano de Casserengue, logo Genilda percebeu que engravidar nesse momento seria "uma loucura". E o motivo é um só, a relação entre o zika vírus e a microcefalia. Ela desistiu. E não é a única.

De acordo com uma pesquisa elaborada pela Opinion Box - uma startup de pesquisa digital -, 65% dos entrevistados afirmaram que com certeza ou provavelmente adiariam os planos de gravidez diante do cenário que se formou na saúde brasileira. Outros 14% não sabem que conduta adotariam e apenas 22% responderam que com certeza ou provavelmente não adiaram esses planos.

Ao todo, foram entrevistados 1.983 internautas de ambos os sexos, de todas as classes sociais e regiões do país, acima de 16 anos. O levantamento foi realizado durante o mês de fevereiro deste ano por meio de um questionário online.

"Um dos problemas é que nem mesmo os pesquisadores têm definido a consequência toda, se os danos maiores são quando a gestante contrai a zika no primeiro semestre ou segundo, por exemplo. E mais. As mulheres que engravidarem no interior e tiver zika terão que sair do seu município e ir fazer o acompanhamento no Isea, lá em Campina Grande. Algumas precisam ir os noves meses para lá. Isso gera mais dificuldade, porque tem que ir em carros de prefeitura, sair às 5 da manhã e passar um dia quase todo em hospital", relatou Genilda.

Aborto

Já com relação ao direito à interrupção da gravidez, os dados mostram que 55% da população é contra a autorização do aborto para as grávidas que contraírem o zika vírus antes da confirmação de microcefalia no feto. 21% são a favor e 24% não têm opinião formada sobre o assunto.

Sem informação

A pesquisa abordou outros temas, como o grau de informação das pessoas sobre as doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti, entre outras. De maneira geral, 74% dos entrevistados se classificaram bem informados sobre as doenças transmitidas pelo mosquito. As pessoas também foram questionadas quanto ao grau de preocupação de cada um quando são picadas por um mosquito. 76% dos entrevistados mencionaram ficar preocupados ou totalmente preocupados de ter contraído alguma doença.

Prevenção e combate

Devido à gravidade do tema, a população se mostra disposta a ajudar na guerra contra o mosquito. 80% dos entrevistados mencionaram que permitiriam a entrada dos agentes em suas residências; 17% disseram que autorizariam desde que acompanhados por um agente público de segurança e 1% não deixaria o agente entrar. Além disso, 57% afirmaram que receberam a visita de um agente comunitário de saúde para controle do Aedes Aegypti nos últimos seis meses. 39% dos entrevistados mencionaram não ter recebido, ainda, a visita e 4% não souberam responder ou não se lembram. Apesar de estarem dispostos a deixar o agente entrar em suas casas, 82% dos entrevistados disseram que com certeza ou provavelmente suas casas não apresentam focos de proliferação do Aedes Aegypti.

Atuação do governo e da população

Para 86% dos entrevistados, a epidemia de Aedes Aegypti é muito grave. Eles também foram convidados a fazer uma avaliação quanto à atuação do governo, seja ele municipal, estadual ou federal, no combate e/ou prevenção ao mosquito Aedes Aegypti. 21% das pessoas acham as ações boas ou excelentes. 40% avaliam as atividades apenas como regulares. Quando convidados a avaliar a atuação da população no combate e prevenção ao mosquito, 49% classificaram como ruim ou péssimo, 41% acham regular e apenas 10% acham bom ou excelente. É curioso reparar que a população foi pior avaliada pelos entrevistados do que o governo.

Para 68% das pessoas, o zika vírus é a doença mais preocupante entre as provocadas pelo Aedes aegypti. A dengue e a febre chikungunya empatam em segundo lugar, com 16% cada uma. Além disso, 51% das pessoas pensam que com certeza ou provavelmente não serão contaminados, e apenas 6% acham que com certeza ou provavelmente serão contaminados por alguma das doenças. Porém, 49% afirmam que já tiveram ou conhecem alguém que já teve dengue, zika vírus ou febre chikungunya.

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