sexta, 15 de janeiro de 2021

Saúde
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Paraíba registra 187 mortes maternas em 5 anos

Kartiana Ramos com assessoria / 22 de setembro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
A noite do dia 2 de março foi a mais difícil para Silvania Feliciano e seus familiares. Marcela, a segunda filha da dona de casa, tinha 15 anos e morreu após dar a luz no Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa. A jovem está entre as 24 mulheres que foram vítimas de morte materna este ano na Paraíba.

De 2013 até maio deste ano foram 187 casos de morte materna no estado, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES). João Pessoa lidera o ranking e soma 66 mortes nesse período, sendo três vítimas registradas somente este ano. No caso de Marcela Feliciano, uma infecção generalizada, ocorrida no dia seguinte ao parto, é apontada como a causa da morte da adolescente. Contudo, outros fatores como hipertensão e diabetes estão entre os principais fatores de risco para a morte de gestantes e puérperas.

“Geralmente, a morte materna ocorre quando em gravidezes de risco, por conta da hipertensão, diabetes, coagolopatia ou até mesmo alguma infecção que a gestante já tinha. Após o parto e no caso das puérperas, as causas mais recorrentes são infecções”, explicou a coordenadora da área técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde da capital, Amanda Romera.

Quanto à morte de Marcela Feliciano, o caso foi apurado pela delegada de Repressão aos Crimes contra a Infância e Juventude da capital, Joana D’arc, e remetido para o Judiciário. Para a mãe da jovem resta a saudade, a responsabilidade cuidar da neta, Marciele, de três meses, e a luta por justiça. “Foi constatado no exame que minha filha morreu porque ficou resto de parto [placenta] dentro dela. Minha filha fez o pré-natal completo, tenho todos os exames. Ela estava bem. Quero justiça e quem não deu o atendimento certo a ela que pague por isso”, disse Silvania Feliciano.

Pré-natal é desafio. O Pré-natal é a principal medida para evitar a morte materna ou óbito fetal. No entanto, fazer com que as gestantes passem por todos os exames necessários e acompanhamentos médicos periódicos, sobretudo as grávidas com o perfil de gravidez de risco, ainda é um desafio para os gestores públicos.

A gerente executiva de Atenção em Saúde da SES, Patrícia Assunção, explica que a pasta tem realizado ações permanentes com as secretarias municipais que integram as atividades da rede de Atenção Maternoinfantil, que foi criada em 2011, e tem como foco atividades na atenção básica.

“Essa rede é co-formada considerando a responsabilidade dos Municípios, Estado e Ministério da Saúde, através da qual ofertamos apoio técnico as equipes de Saúde da Família. Com isso, queremos combater as mortes maternas, cujas principais causas são evitáveis quando detectadas e prevenidas no pré-natal”, explicou Patrícia Assunção.

No mês passado, a SES lançou o Plano de Enfrentamento da Mortalidade Materna que visa melhorar a assistência à mulher, com suporte técnico, monitoramento e promover articulação com os gestores municipais de saúde.

Em João Pessoa, a coordenadora da área técnica de Saúde da Mulher, Amanda Romera, lembra que a capital também dispõe do Plano Municipal de Redução a Mortalidade Materna, por meio do qual são promovidas capacitações com os profissionais de saúde sobre a Rede Cegonha, além da fiscalização da rede de serviços da atenção básica.

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