domingo, 22 de abril de 2018
Saúde
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PB é o que tem mais municípios no Nordeste onde o câncer é a principal causa de mortes

Beto Pessoa / 17 de Abril de 2018
Foto: Arquivo
O câncer já é a principal causa de morte em 15 cidades paraibanas, segundo pesquisa divulgada nessa segunda-feira (16) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A Paraíba foi o Estado que mais registrou municípios que têm as neoplasias, no Nordeste, como principal responsável pelos óbitos, número que preocupa especialistas, uma vez que a doença avança ano a ano em todo País.

Segundo projeção do CFM, o câncer deve ser a principal causa de morte no país. Hoje, ele já é protagonista nos óbitos em 10% dos municípios brasileiros. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), entre 2016 e 2017, os óbitos por neoplasias saltaram de 3.635 para 3.674.

Nos homens, os mais agressivos foram na próstata, brônquios e pulmões e estômago; nas mulheres, os principais foram mama, brônquios e pulmões e colo do útero. Desde 2015, 11.556 pessoas morreram em todo o Estado, vítimas de algum tipo de câncer.

De acordo com a pesquisa divulgada pelo CFM, que usa dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), as cidades paraibanas que hoje têm câncer como principal causa de morte foram: Coremas, São João do Cariri, Poço de José de Moura, Marizópolis, Vieirópolis, São Francisco, São Sebastião do Umbuzeiro, São José dos Espinharas, Mato Grosso, Nova Palmeira, Serra Grande, Sossêgo, Carrapateira, Lastro e Areia de Baraúnas.

Em todo País, o índice de mortes é maior nas regiões mais desenvolvidas do país, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. Dos 516 municípios onde os tumores matam mais, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140). No Nordeste, estão 9% dessas localidades (48); no Centro-Oeste, 34 (7%); e no Norte, 19 (4%).

O primeiro secretário do CFM, Hermann von Tiesenhausen, enfatizou a importância de se discutir o avanço do câncer no País. “Este diagnóstico revela um grave problema de saúde pública que, a cada ano, assume maior relevância na lista de prioridades dos gestores. Na visão do CFM, é preciso envidar todos os esforços para conter essa epidemia e manter a obediência às diretrizes e aos princípios constitucionais que regulam a assistência nas redes pública, suplementar e privada no Brasil”, disse.

Das 27 unidades federativas, 24 contam com pelo menos uma localidade onde o câncer é a principal causa de mortalidade.

Idosos são os mais afetados

A pesquisa também trouxe dados de mortalidade por câncer de acordo com a faixa etária e os óbitos em decorrência da doença afetam mais a terceira idade. Metade dos óbitos, registrados em 2015, se concentra nas faixas de 60 a 69 anos (25%) e 70 a 79 anos (25%). Em seguida, a maior proporção aparece no grupo dos que tinham mais de 80 anos (20%). Crianças e adolescentes, grupo que compreende a faixa etária de zero a 19 anos, somaram 1,3% dos óbitos naquele ano.

No mundo, o câncer é responsável por 8,2 milhões de mortes anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Aproximadamente 14 milhões de novos casos são registrados por ano e o organismo internacional calcula que essas notificações devam subir até 70% nas próximas duas décadas.

Para o presidente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a mudança nos indicadores desses municípios reflete o novo perfil epidemiológico do Brasil. Ela lembra que o câncer pode ser considerado uma doença vinculada ao desenvolvimento e à modernização. “Dentre as hipóteses que justificam esses números estão: o aumento da expectativa de vida e as consequentes mudanças genéticas decorrentes do envelhecimento da população; e o comportamento não saudável de milhões de brasileiros, que aindacoseomem tabaco, não realizam atividades físicas, sofrem com os efeitos da obesidade ou se expõem ao sol excessiva e sem proteção”, aponta Merula Steagall.

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