terça, 16 de julho de 2019
Saúde
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PB deve somar mais de 9 mil novos casos de câncer até o fim de 2019

Lucilene Meireles / 05 de fevereiro de 2019
Foto: Reprodução/Google Street View
A Paraíba deve somar, até o final de 2019, mais de 9 mil novos casos de todos os tipos de câncer, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). E a perspectiva para os próximos anos não é nada animadora. A tendência é de um crescimento progressivo dos números a cada ano, segundo a oncologista Dalva Guedes Arnaud, chefe do serviço de oncologia clínica do Hospital Napoleão Laureano, referência no tratamento da doença no Estado. A notícia vem justamente no Dia Mundial do Câncer, lembrado ontem, e no Dia Nacional da Mamografia, celebrado hoje.

“O fato é que se fomos observar a história natural do câncer, há uma tendência de aumento ao longo dos anos. A chance de ter a doença é palpável porque o envelhecimento existe e as pessoas estão muito mais expostas a fatores ambientais. É tudo mais, se vive mais, se expõe mais e, com isso, o câncer tem uma tendência a aumentar”, constatou a especialista.

Entre as causas, existem vários fatores. “Os pacientes me perguntam qual é a causa certa do câncer e eu sempre respondo que a alimentação, por exemplo, pode interferir. As pessoas, cada vez mais, têm comido ruim, fast food, não têm tempo de preparar em casa, comem em qualquer lugar, ou seja, a alimentação não é mais saudável”, constatou. É preciso considerar também, segundo Dalva Guedes Arnaud, a questão dos agrotóxicos e a necessidade de uma maior fiscalização nesse setor.

Existem ainda os fatores ambientais. “Cânceres de cabeça e pescoço, além do de pulmão têm estreita relação com o tabagismo. Já sobre o de pele, vivemos num país tropical, e muitas pessoas, principalmente no interior, não têm acesso ao protetor solar. Quem usa, muitas vezes, não reaplica. Por isso, na estatística, este tipo de câncer está em primeiro lugar. É necessário que exista um combate grande”, disse a médica. “A fórmula é mais genérica, mas o ideal é ter uma alimentação saudável, tomar cuidado com o excesso de álcool e tabagismo. Esses são fatores que podemos modificar”, ensinou.

"A gente não pode dizer hoje que a tendência é uma redução do câncer. Há patologias estáveis e em outras a incidência cresceu. De uma forma geral, no contexto atual, a tendência é que exista um aumento ano a ano." - Dalva Guedes Arnaud, chefe do serviço de oncologia clínica do Hospital Napoleão Laureano.

Crianças

Em crianças, conforme a oncologista Dalva Guedes Arnaud, a doença tem um fundo mais genético e os casos não são preveníveis. “São diferentes, sem interferência de fator externo, ocorrendo mais na forma hereditária”, frisou.

Ocorrências no colo do útero



Com exceção do câncer de pele, que é prevalente tanto em homens quanto mulheres e ocupa o primeiro lugar, a neoplasia de próstata é a que mais acomete os homens no Brasil e na Paraíba. Nas mulheres, tanto no país quanto no Estado, o câncer de mama prevalece. O que muda um pouco na Paraíba em relação a outras regiões é que o câncer do colo de útero tem aparecido com frequência, segundo a oncologista Dalva Guedes Arnaud.

“Para nós, oncologistas, a doença tem se tornado um desafio, e eu fico muito triste nessa situação, principalmente porque é uma doença prevenível e hoje temos uma estatística alta. Poderíamos ter uma estatística muito melhor ou não tê-lo nas estatísticas”, lamentou a especialista. Para este ano, serão 370 novos casos, segundo o Inca.

Em João Pessoa, estima-se 80 casos em 2019, e conforme a oncologista, a procura por exames preventivos existe. Já nas cidades do interior é o contrário. “Há um estigma de não fazer o preventivo por dificuldade do acesso. Outras fazem, mas não vão buscar o exame. Existem vários vieses nessa história, inclusive de ter laboratórios de qualidade, ou quem faz o exame ser qualificado para isso, identificar certas alterações. Precisamos trabalhar mais em relação a isso”, disse ela.

Além desses cuidados, a oncologista Dalva Guedes Arnaud destacou a necessidade de campanhas para detectar lesões precoces e, a partir desse diagnóstico, orientar a mulher sobre que serviço procurar. “Tem que ter um fluxo. Quando detecta, é preciso dizer para onde ela vai. Se não procurar o tratamento, a doença vai evoluindo para um carcinoma invasivo. Tentamos buscar a cura e tudo começa pela prevenção e o diagnóstico precoce”, ressaltou.

Prevenção é fundamental



A conselheira tutelar Maria do Socorro Agostinho da Cruz, 51 anos, mora no município de Serraria, a 89 km de João Pessoa, e há cinco descobriu que tinha câncer de mama durante um autoexame. Ela sabia da importância de realizar as consultas periódicas, mas passou oito anos sem sequer procurar o médico. Ao sentir o nódulo, correu em busca de ajuda. Porém, a essa altura, a doença já havia se instalado e foi preciso retirar a mama. Desde então, está em tratamento no Hospital Napoleão Laureano.

Apesar de ter direito à reconstrução da mama pelo SUS, ela optou por não fazer o procedimento e utiliza uma prótese externa de silicone.

Ela conta que o autoexame foi fundamental para a descoberta e aconselha as mulheres a não descuidarem da saúde em nenhum aspecto. “Façam o autoexame, citológico, exames de rotina. Não tenham medo, porque a prevenção é fundamental”, alertou.

Doação é um ato de amor. Moradora da cidade de Caaporã, a 45 km da Capital, a dona de casa Susana Vidal dos Santos, 36 anos, descobriu que tem leucemia há nove meses. Desde então, vem toda semana para realizar o tratamento no Laureano. A esperança depende de uma doação. “Estou na fila à espera de uma medula. Faço um apelo para que as pessoas doem. É um ato de amor que pode salvar uma vida”, disse.

Mamografias JP. A Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (SMS) oferta às suas usuárias 5.200 exames de mamografia por mês. Essas mamografias podem ser realizadas nos hospitais São Vicente de Paula e Napoleão Laureano, além do Centro de Diagnóstico do Câncer (CDC).

Para ter acesso, é preciso passar pela atenção primária, com o atendimento nas Unidades de Saúde da Família (USFs) e de lá será encaminhada aos serviços e consultas especializados, sempre que necessário.

3.723 óbitos

Foi o número de óbitos por câncer na Paraíba em 2018, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Orientações



Algumas orientações médicas são indispensáveis para ajudar a população na prevenção de vários tipos de câncer.

Câncer de pele. Use mais protetor solar. Já os governos devem realizar campanhas que incentivem isso.

Câncer de mama. Procure o mastologista, fazer o autoexame e a mamografia. É preciso também a presença de profissionais que realizem esses exames nas USFs, mesmo que seja o próprio ginecologista.

Alimentação. Como forma de prevenção, adote uma alimentação mais saudável, beba álcool com moderação.

Câncer de próstata. Esqueça o estigma do urologista. Aos 50 anos, procure um se não tiver ninguém com a doença na família. Caso tenha, vá mais cedo.

Vacina. O HPV é uma doença que está por trás do câncer do colo de útero e de pênis. Para prevenir, existe a vacina para meninas e meninos.

Fígado. Tome cuidado com a hepatite. Há vacina para ela. Consulte o médico e veja as formas de prevenção.

Fonte: Dalva Guedes Arnaud, oncologista.

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