quinta, 14 de dezembro de 2017
Saúde
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Paraibano em busca da ‘pílula do câncer’

Renata Fabrício / 11 de março de 2016
Foto: Ilustração
Justiça da Paraíba derrubou a liminar que mandava a Universidade de São Paulo fornecer fosfoetalonamina sintética para homem que tem câncer. Paraibano de 66 anos, que tem câncer, usou o ‘remédio’ há três meses e a família diz que houve melhoras física e nos exames do idoso. Mas as cápsulas que recebeu só dá para mais 30 dias de uso. Agora, a esperança do paciente e de centenas de outros que encontraram no ‘medicamento’ uma chance de cura é que a Justiça reavalie e mantenha a decisão anterior ou que se transforme em lei o projeto aprovado na última terça-feira pela Câmara dos Deputados, que autoriza a produção, distribuição e uso da fosfoetalonamina, mesmo que seus efeitos ainda não tenham sido comprovados.

No ano passado, a USP foi obrigada a produzir e fornecer a substância a pacientes, mediante ordem judicial. Na Paraíba, apenas um paciente de 66 anos, morador de Santa Luzia, no Sertão do Estado, conseguiu na Justiça o direito a receber a substância.

A filha do paciente, Cláudia Gonçalves, conta que desde dezembro, quando a primeira remessa da fosfoetalonamina chegou, o quadro do pai tem evoluído. “Fizemos um check-up nele. Todas as taxas que antes estavam alteradas, inclusive as renais, hoje estão normalizadas. Um dos exames mais precisos para o tipo de câncer dele é o CEA 19.9, que é um marcador tumoral. O normal é para ele mostrar até 35 unidades. Antes tinha dado 39; Agora fizemos e deu 12. Quer dizer, dentro dos parâmetros da normalidade, e bem abaixo do que foi mostrado antes”, explica Cláudia.

Depois do câncer (de colo de reto), ele perdeu 14 quilos, mas segundo a família, depois que começou o tratamento com a pílula do câncer já recuperou 9. “Ele perdeu 14 quilos durante esse processo. Ficou psicologicamente muito debilitado. A tristeza estava matando ele. Eu acredito primeiro no poder de Deus, e quando a medicação chegou ele criou uma esperança. A fosfoetalonamina foi uma dose de vida pra ele. Dos 14 quilos que perdeu, já recuperou 9. Está bem, faz planos e conversa com a gente”, revela a filha do paciente.

A família não contou ao paciente que a liminar foi derrubada, e espera que o judiciário se sensibilize para a causa, antes de as cápsulas que ainda restam, acabarem.

“Acho que só temos cápsulas para mais 30 dias. Ele não sabe que a decisão foi derrubada. Não queremos que ele fique com medo, nem leva-lo ao sofrimento. Deus nos livre que a gente não consiga mais a pílula. Eu já vi ele debilitado uma vez, e não quero ver de novo. Espero que a justiça se sensibilize, e rezo a Deus para que quem julgar seja sensível”, espera Cláudia.

O processo. A última decisão da Justiça que mandou suspender as remessas do ‘remédio’ foi uma resposta ao agravo impetrado pela USP. O desembargador relator do processo entendeu que o poder judiciário da Paraíba não era competente para julgar a ação, já que a USP é uma autarquia estadual e a ação deve ser julgada na jurisdição dela. A ação foi remetida para São Paulo, onde todas as liminares foram cassadas e a ação foi derrubada.

O texto do projeto destaca que o uso da pílula poderá ser feito, em caráter excepcional, independente de a substância ter ou não registro sanitário enquanto estiver em estudo clínico. O projeto ainda vai para votação no Senado, e se aprovado vai para as mãos do executivo.

“A aprovação na Câmara é um grande passo dado, sem dúvidas. Só que ainda dependemos do Senado e da presidente. Muita coisa ainda deixa a desejar. Os estudos clínicos e o judiciário restringindo as decisões liminares. Na semana passada tentamos para um paciente de Campina Grande, mas a justiça negou. Entramos com um recurso. É uma luta constante tanto para os advogados, quanto para os pacientes, quem são quem verdadeiramente mais precisa”. Juliana Nóbrega. Advogada.

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