terça, 17 de julho de 2018
Saúde
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Paraíba tem mais de 300 pessoas com esclerose múltipla

Lucilene Meireles / 26 de maio de 2018
Dois surtos de visão dupla sem qualquer explicação levaram a dona de casa Hermínia Andrade, 32, a buscar ajuda médica, e o diagnóstico, como ela mesma define, foi assustador: esclerose múltipla. A doença compromete, entre outros aspectos, a capacidade de equilíbrio, a visão e, pode levar à morte se não for tratada corretamente. Na Paraíba, a esclerose múltipla afeta 301 pessoas e, entre 2011 e 2016, foi a causa de 20 óbitos, de acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Durante o tratamento no Centro de Referência em Esclerose Múltipla do Estado, que funciona na sede da Funad, em João Pessoa, o quadro se complicou e houve um momento em que não conseguia caminhar sozinha. Sete anos depois, recuperou-se e consegue andar. Embora sem a firmeza de antes, os cuidados adequados garantem à paciente mais qualidade de vida.

A coordenadora do Centro de Referência em Esclerose Múltipla da Paraíba, Bianca Etelvina Santos de Oliveira, acompanha a paciente e diz que sua evolução é boa. “Hermínia está bem, em processo de adaptação com a nova medicação. Ela não piorou, mas ainda tem um pouco de desequilíbrio”, observou.

Além dos pacientes encaminhados pelas Unidades de Saúde da Família (USFs), o Centro recebe também de forma direta, sem encaminhamento médico, para avaliação. O diagnóstico, segundo ela, considera os relatos de cada paciente. “É preciso ter uma história clínica, além do exame neurológico, ressonância magnética e punção lombar para análise do líquor, que é o líquido da medula espinhal”, explicou.

Em relação aos sintomas, a neurologista esclareceu que alguns pacientes que começam a apresentar desequilíbrio, outros têm visão dupla. Diante desses sintomas, e se perdurarem por 24h sem melhora e sem justificativa, é preciso procurar um neurologista. O tratamento no Centro é gratuito e feito com imunomoduladores. A medicação, de alto custo, é distribuída pelo Ministério da Saúde. A neurologista Bianca Etelvina ressaltou que, embora a doença não tenha cura, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais chances de evolução o paciente pode ter.

Centro de Referência em Esclerose Múltipla da Paraíba:

420 pacientes acompanhados

301 destes têm esclerose definida

119 têm alguma manifestação neurológica em investigação, mas sem diagnóstico fechado

Profissionais - fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros, farmacêuticos.

20 a 50 anos: É a faixa etária mais afetada pela esclerose múltipla. Se for do sexo feminino, o risco é maior, mas a doença atinge também crianças e adolescentes.

Dia Mundial

O Dia Mundial da Esclerose Múltipla (World MS Day) será lembrado em 30 de maio este ano. A data é uma iniciativa da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) para conscientizar a população sobre a doença. O tema da campanha deste ano é “#bringinguscloser” (nos aproximando, em português) e o objetivo é unir as pessoas acometidas pela esclerose e o público envolvido nos estudos para os avanços no tratamento da enfermidade, como médicos, cientistas, estudantes, enfermeiros, angariadores de fundos e voluntários.

O que é a doença

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória, degenerativa e silenciosa que afeta o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) causando danos na fala, equilíbrio, visão, coordenação. Outra característica da esclerose é sua autoimunidade, ou seja, o sistema imunológico ataca o próprio corpo, neste caso, os neurônios.

Sintomas

- Perda da visão, visão dupla ou embaçada.

- Incontinência urinária.

- Fraqueza em partes do corpo.

- Formigamento das pernas ou de um lado do corpo.

- Desequilíbrio.

- Falta de coordenação motora.

- Fadiga desproporcional à atividade realizada.

Fonte: Renata Simm, coordenadora do Instituto de Neurologia do Hospital Santa Paula/SP/ Bianca Etelvina Santos de Oliveira, coordenadora do Centro de Referência em Esclerose Múltipla da Paraíba.

Recomendações para os pacientes

- Tenha acompanhamento médico regular e tome a medicação corretamente.

- Mantenha um estilo de vida saudável, com boa alimentação, repouso e prática de atividades físicas.

- Interrompa o tabagismo.

- Evite temperaturas extremas, pois elas podem piorar os sintomas preexistentes e até induzir novos surtos.

- Faça fisioterapia quando os movimentos forem comprometidos.

- Em surtos agudos, fique em repouso.

Fonte: Renata Simm, coordenadora do Instituto de Neurologia do Hospital Santa Paula/SP.

2,3 milhões

É o número de pessoas com esclerose múltipla no mundo todo. Destas, 35 mil são brasileiras.

Como age a esclerose múltipla

- O sistema imunológico inverte sua função e começa a agredir o sistema nervoso central - cérebro e medula.

- Essa ‘agressão’ causa inflamações na bainha de mielina, capa que protege os neurônios;

- Com essa capa comprometida, os impulsos do corpo se dispersam;

- O paciente perde, de forma progressiva, o controle dos comandos do cérebro.

- A partir daí, começam os sintomas, como desequilíbrio, visão dupla.

Fonte: Bianca Etelvina Santos de Oliveira, coordenadora do Centro de Referência em Esclerose Múltipla da Paraíba

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