terça, 11 de maio de 2021

Saúde
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Paraíba tem fila invisível com 40 à espera de transplante de fígado

Lucilene Meireles / 07 de outubro de 2016
Foto: Assuero Lima
O Hospital da Unimed, único credenciado no Estado para realizar transplante de fígado, poderia fazer até cinco procedimentos, por semana. O problema, segundo a equipe médica, é que faltam doadores para mais de 40 pacientes que recorrerem a outros Estados na esperança de encontrar um órgão. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) garante que não há fila de espera pelo órgão. A fila pode ser invisível para o Estado, mas não para quem luta contra o tempo para sobreviver. O assunto foi tema de uma entrevista coletiva ontem, no hospital.

O cirurgião do aparelho digestivo e chefe da equipe médica que realizou a cirurgia no final de semana, Cássio Virgílio Cavalcante de Oliveira, afirmou que, desde 2004, o hospital está credenciado para realizar os transplantes, com toda a estrutura necessária. De lá para cá, segundo ele, foram 67 cirurgias de fígado, mas poderiam ser mais. O médico afirmou que houve época em que num período de seis meses, foram feitos 17 transplantes.

Para ele, é preciso que o SUS realize uma campanha que estimule as pessoas a serem doadoras. O especialista garantiu que, se tiver doador, o transplante será feito e quem precisar será beneficiado. “Não é possível listar quantos paraibanos estão na fila hoje, mas temos de 40 a 50 pacientes em outros Estados. Queremos estimular as doações, porque esse é o grande problema”, lamentou.

O hospital já tem, inclusive, condições de realizar transplante de pâncreas-rim, mas depende do SUS para viabilizar. Em qualquer situação, conforme Cássio Virgílio, o tempo é fundamental. “A entrevista coletiva não é para a equipe aparecer, mas uma tentativa de salvar vidas, seja branco, negro, pobre, rico”, completou. “A imprensa é um grande braço nessa nossa luta para salvar vidas”, observou o gestor superintendente da Unimed-JP, Marcos César Lopes.

A cirurgia

O paciente que recebeu um novo fígado domingo foi um agricultor  de 31 anos. De acordo com a equipe médica do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, a cirurgia não teve intercorrências e o paciente passa bem. O órgão transplantado foi coletado de um rapaz de 19 anos, vítima de arma de fogo.

O transplante de fígado é o procedimento médico mais complexo a que um ser humano pode ser submetido. A cirurgia, realizada por uma equipe de 15 profissionais sob o comando do cirurgião do aparelho digestivo Cássio Virgilio Cavalcante de Oliveira, durou seis horas. O paciente era o primeiro da fila na Paraíba. J.R.S. tinha colangite esclerosante, uma doença rara que fecha os canais do fígado. Como consequência, o fluxo sanguíneo é bloqueado e a bile deixa de ser drenada, ocasionando icterícia.

Estrutura é moderna

O desempenho não ocorre por acaso. O Hospital Alberto Urquiza Wanderley dispõe, em sua estrutura, de um moderno centro cirúrgico, um completo Centro de Terapia Intensiva com seis UTIs, Centro de Diagnóstico por Imagem, entre outros serviços essenciais à realização de procedimentos de alta complexidade.

Na equipe médica, estão alguns dos maiores especialistas do Estado e a equipe assistencial é altamente capacitada. Além disso, os investimentos na melhoria dos serviços são permanentes. Prova disso é que o Alberto Urquiza é o único hospital da Paraíba com Acreditação Plena Nìvel 2, um certificado de qualidade da rede hospitalar.

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