quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Paraíba tem 12 hospitais que dispõem de soro antiofídico

Wêrnia Bandeira / 22 de maio de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Dor, inchaço e sangramento são apenas alguns dos sintomas presentes após picada de cobras e a única solução é procurar um hospital de forma urgente. É o que dizem os médicos, que ainda garantem que qualquer ação em casa não ajuda. O Estado tem 12 hospitais que dispõem da medicação. O Trauma, em Campina Grande, o Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, são os locais que têm todos os soros disponíveis.

Um rapaz está internado no Hospital Regional de Patos, no Sertão, e precisou de pelo menos 20 ampolas de soro antiofídico.

O agricultor Anderson Mariano Lacerda, 21 anos, foi atendido no Hospital e Maternidade Caçula Leite, em Conceição, e logo depois transferido para o Hospital Regional de Patos. Ele estava no ambiente de trabalho, quando entrou em contato com uma cascavel no pé direito, o animal foi levado pelos familiares.

O paciente teve dor muscular intensa, sangue na urina, queda da pálpebra esquerda e dilatação da pupila sem resposta a luz. “Assim, está instalado a forma grave da doença com necessidade de 20 ampolas do antidoto crotálico”, informou a assessoria de imprensa da unidade de saúde.

Com o tratamento, ele apresentou melhora e seu quadro é considerado estável. A médica clínica do Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, Valéria Lucena, explicou que a resposta ao soro acontece de forma satisfatória quando o atendimento é feito urgentemente.

“Não há qualquer ação que possa ser feita em casa. O que precisa acontecer é procurar um hospital rápido porque tem serpentes que a ação do veneno é quase instantânea”, afirmou a médica clínica Valéria Lucena.

A crendice popular, segundo a médica, muitas vezes dificulta a melhora do paciente. Ela contou que já presenciou atitudes nesses casos que complicaram a evolução clínica das pessoas.“É importante dizer também que as vezes a gente recebe pessoas com garrote ou que comeram alho, tomaram leite, esfregaram alho no machucado e nada disso muda o estado, apenas retarda o atendimento”, declarou a médica.

Além de procurar atendimento, ela salientou que a identificação da espécie da cobra é importante para a escolha do antídoto específico. “Nós pedimos sempre para trazer a cobra ou pelo menos tirar fotos dela mostrando as costas e a frente porque tem um soro para jararaca e outros para cascavel, cobra coral e surucucu. É possível fazer o tratamento com soro misto quando não identifica, mas a evolução do paciente acontece mais rápido quando sabemos”.

O soro antiofídico não tem qualquer contra-indicação. Antes de ser administrado, o paciente recebe o pré-soro, que consiste em medicamento antialérgico e protetor gástrico para que não tenha sintomas.

Mortes na PB



De acordo com o último dado disponível do Ministério da Saúde, a Paraíba registrou uma morte por ataque de animais peçonhentos em 2017. Naquele ano, aconteceram 414 casos, o maior número desde 2011, quando houve 449. Entre os anos de 2000 e 2017, foram 28 óbitos.

Como prevenir acidentes com serpentes



-O uso de botas de cano alto ou perneira de couro, botinas e sapatos pode evitar cerca de 80% dos acidentes.

-Usar luvas de aparas de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas, etc. Não colocar as mãos em buracos. Cerca de 15% das picadas atingem mãos ou antebraços.

-Cobras se abrigam em locais quentes, escuros e úmidos. Cuidado ao mexer em pilhas de lenha, palhadas de feijão, milho ou cana. Cuidado ao revirar cupinzeiros.

-Onde há rato, há cobra. Limpar paióis e terreiros, não deixar lixo acumulado. Fechar buracos de muros e frestas de portas.

-Evitar acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas e madeiras, bem como não deixar mato alto ao redor das casas. Isso atrai e serve de abrigo para pequenos animais, que servem de alimentos às serpentes.

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