sexta, 19 de abril de 2019
Saúde
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Paraíba registra 42 casos de hanseníase por mês

Lucilene Meireles / 18 de janeiro de 2019
Foto: Chico Martins
A Paraíba registrou, nos últimos cinco anos, 2,5 mil novos casos de hanseníase, o que representa uma média de 42 a cada mês, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Só em 2018, foram notificadas 463 pessoas com a patologia. Doença transmissível que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos, a doença pode levar o paciente à incapacidade física. O Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, em 2019, será lembrado no próximo dia 27.

Para este mês, também denominado Janeiro Roxo, o Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, em parceria com o Complexo Hospitalar Clementino Fraga, vai realizar ações entre os dias 23 e 26, entre elas, triagem de manchas para diagnóstico da doença. Além disso, a campanha, que é nacional, ressalta a importância da prevenção das incapacidades físicas resultantes do diagnóstico tardio.

“A SES orienta que os profissionais de saúde dos municípios façam uma busca ativa de pacientes com manchas na intenção de diagnosticar precocemente a hanseníase e tratar a doença de maneira oportuna e imediata, declarou a gerente operacional de Vigilância Epidemiológica da SES, Lívia Borralho.

Ela explicou que a hanseníase é uma doença dermato-neurológica, ou seja, aparecem manchas e os nervos periféricos são atingidos. O dermatologista Egon Daxbacher, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) explicou que a doença afeta a pele e os nervos, podendo atingir outros órgãos. As formas contagiosas são chamadas multibacilares. “A transmissão da hanseníase acontece pelo ar. Apesar disso, a maioria da população consegue se defender naturalmente porque já nasce com defesa apropriada. Cerca de 10% da população não conseguem se defender e, por isso, acabam adoecendo”, explicou.

A orientação do especialista é de que, ao sentir dormência nas mãos, pés, olhos e em manchas é preciso procurar avaliação e diagnóstico.

Sequelas. Quando o aposentado Eduardo Alves dos Santos, 48 anos, descobriu que tinha hanseníase, em 2014, a doença estava em estado avançado. “Eu sentia muita dor nos nervos, perda de sensibilidade, vivia entrevado, perdi peso, mal podia andar. Eu não sabia do que se tratava e a médica acreditava que era reumatismo”, relatou. O homem de 1,64 metro de altura, chegou a ficar com apenas 30 quilos. Hoje, depois do diagnóstico e cuidados recebidos no Hospital Clementino Fraga, que é referência no tratamento de doenças infectocontagiosas, pesa 83 quilos.

A demora no diagnóstico, porém, deixou sequelas graves no paciente. “Como a doença afetou mais os meus nervos do que a pele, perdi a força na mão esquerda, afetou minha visão e tenho dores crônicas. Se eu tivesse percebido antes, poderia ter evitado essa evolução”, constatou.

Apesar da melhora, ele continua em tratamento para combater as dores e o avanço da doença, mas garante que está bem se comparado ao período em que descobriu em que teve o diagnóstico. Para ele, o preconceito em relação aos pacientes que têm hanseníase, a famosa 'lepra', nunca deixou de existir. “Quando as pessoas olham minha mão sem movimento e perguntam o que causou o problema, eu não tenho vergonha de dizer o que, mas elas saem de perto. Já me acostumei a isso”, completou.

Doença tem cura e tratar é gratuito



Na Paraíba, o diagnóstico da hanseníase pode ser feito na Atenção Básica de saúde. Serviços de atenção secundária podem ser encontrados nos municípios de Campina Grande, Patos e Sousa. Já a referência nos serviços terciários, ou seja, no estágio avançado da doença, é o Complexo Hospitalar Clementino Fraga, em João Pessoa.

Na forma mais branda da doença, segundo o dermatologista Egon Daxbacher, da Sociedaed Brasileira de Dermatologia (SBD), o tratamento dura seis meses e é feito com antibióticos. Já na forma avançada, o prazo é de 12 meses. A medicação é gratuita e fornecida pelos postos de saúde.

Ele lembrou que a vacina BCG, que é aplicada em recém nascidos, é indicada para pessoas que convivem com pacientes que têm hanseníase.

Seria uma segunda dose para diminuir ou evitar o aparecimento da doença.

Saiba mais sobre a doença



Sintomas

Manchas pelo corpo Podem ser esbranquiçadas, cor-de-rosa ou marrons.

Caroços em casos mais avançados.

Falta de sensibilidade no local A pessoa não sente dor, frio, calor ou o toque, ficando mais vulnerável a queimaduras e cortes nas regiões afetadas, o que pode acarretar infecções.

Fraqueza nas mãos e pés Por afetar os nervos, esses sintomas também podem ocorrer. Em casos mais avançados, as mãos podem ficar em formato de garras.

Partes do corpor Testículo, olhos e órgãos internos podem ser afetados em casos que não tiveram diagnóstico precoce.

Artrite Articulações de cotovelos, joelhos podem ser afetados.

Transmissão é pelas vias aéreas



Pela fala

Tosse

Espirro

Através de uma pessoa doente e sem tratamento.

Em números



25 Foi o número de óbitos associados à hanseníase, na Paraíba, no período de 2013 a 2018.

7 anos É o tempo que pode demorar até aparecerem os primeiros sintomas da hanseníase. Em alguns pacientes, a partir de dois anos os sinais da contaminação já são perceptíveis.

30 mil É o número de casos novos de hanseníase por ano no Brasil. A doença é muito frequente no Brasil e necessita de diagnóstico precoce para evitar sequelas.

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