sábado, 19 de setembro de 2020

Saúde
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Pane no sistema de regulação da Saúde coloca ‘tarja preta’ no Outubro Rosa

Maurílio Júnior e Nice Almeida / 20 de outubro de 2015
Foto: Arquivo
A fila gigantesca formada por milhares de mulheres no Hospital Napoleão Laureano, durante mutirão organizado no último sábado (17), não foi o único problema enfrentado pelas pessoas que procuraram o serviço e pelos profissionais que se voluntariaram para fazer o trabalho. Uma pane no sistema da Central de Regulação da Secretaria de Saúde de João Pessoa impediu que 327 pacientes fizessem a mamografia e a biópsia programadas para o Dia 'D' do Outubro Rosa. A direção de regulação negou que o problema técnico tenha impedido a realização dos exames.

De acordo com a mastologista e presidente da ONG Amigos do Peito, Joana Barros, durante o mutirão acabaram sendo realizados apenas exames clínicos, com a promessa de que as mamografias fossem feitas  no próximo sábado (24). No entanto, segundo a médica, a direção do Hospital Napoleão Laureano adiantou que não tem mais como realizar um novo dia em alusão à Campanha Outubro Rosa.

Conforme a assessoria do hospital, as mulheres sem atendimento no último sábado (17) deverão procurar as unidades de saúde dos seus municípios para receberem atendimento de mastologistas.

Joana Barros acrescentou que durante a campanha do Outubro Rosa, realizada com as parcerias da ONG Amigos do Peito, Hospital Napoleão Laureano e Rede Feminina de Combate ao Câncer, os serviços de saúde são intensificados e mulheres de todas as cidades do Estado tentam atendimento na Capital. "Com o transtorno ocorrido no último sábado, muitas retornam as suas cidades de origem e ficam sem o acompanhamento médico. É um descaso total”, disse Joana.

Mais pane

Outra dificuldade relatada por Joana Barros é quanto ao Sistema de Informação do Câncer (Siscan), do Ministério da Saúde, que também fica fora do ar constantemente, dificultando a liberação dos laudos médicos. Um problema grave tendo em vista que sem o laudo as pacientes não têm como saber se sofrem de câncer ou não.  “É gritante a falta de comprometimento e a acomodação e insensibilidade dos órgãos responsáveis”, desabafou.

Secretaria alega baixa procura

A Secretaria de Saúde de João Pessoa confirmou a pane, mas negou que a falha no sistema tenha impedido a realização dos exames. De acordo com a assessoria, o que aconteceu é que o servidor do sistema de regulação travou, mas logo que a falha foi detectada a empresa responsável foi convocada e solucionou o problema.

Em nota, a coordenadora da Saúde da Mulher, Tânia Lucena também informou que a procura por parte das mulheres está muito baixa, e além disso, 30% dos exames que são agendados não são realizados, ou seja, de 100 mulheres, 30 não comparecem ao exame. Segundo ela, os exames não têm burocracia, nem demora, já que em João Pessoa existe oferta para os exames preventivos.

De acordo com a diretoria de regulação, a Secretaria de Saúde conta com cinco serviços credenciados para oferta de cinco mil mamografias por mês, para os usuários da Capital, obedecendo os critérios determinados pelo ministério da saúde. Essa baixa procura estaria fazendo com que apenas 1.400  a 1.700 exames sejam realizados, por mês.

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