quinta, 21 de janeiro de 2021

Saúde
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Pacientes têm que sair da PB para conseguir fazer cirurgias de transplante rapidamente

Katiana Ramos / 27 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Há três anos e oito meses, Verinaldo Soares da Silva renascia na mesa de cirurgia. O transplante de fígado, procedimento pelo o qual passou, só foi possível porque o aposentado, com então 64 anos, ficou na fila de espera pelo órgão em Recife (PE). Na Paraíba, até dezembro do ano passado, havia pelo menos quatro pacientes esperando pelo mesmo órgão que devolveu a vida ao idoso.

Ainda em 2016, uma criança que estava na fila por um transplante de fígado na Paraíba morreu. As informações são da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Estado (SES), a Paraíba possui um hospital habilitado para realizar transplante de fígado e outro para transplante de rim. Mas, nenhuma unidade hospitalar está capacitada para transplante de coração e pulmão.

Para receber esses órgãos, os pacientes paraibanos precisam procurar atendimento em outros estados. É a situação de Francisco de Deus, de 62 anos. Há seis meses ele aguarda por um transplante de fígado em Recife (PE) e não recebe nenhum auxílio do governo do Estado para custear as idas ao hospital onde faz acompanhamento médico.

“Uma vez por mês temos que levá-lo para Recife para avaliação médica, porque ultimamente ele está sofrendo com encefalopatia. Também pagamos todos os exames porque não podemos esperar pelo SUS”, relatou a filha de Francisco, Viridiana de Deus.

Verinaldo Soares sabe bem as dificuldades de quem tem que sair do estado de origem em busca de tratamento. “Eu tinha que me preparar bem para receber esse transplante e como aqui não tinha, reunimos forças para ir para outro estado. Vai fazer quatro anos que tenho uma nova vida. Só tenho a agradecer a Deus”, comemora o aposentado.

Atrasos. Outra dificuldade enfrentada por pacientes que passaram por transplante na Paraíba é o acesso a medicação necessária para evitar que o organismo rejeite o órgão transplantado. Segundo o presidente da Associação dos Transplantados de Rim da Paraíba (Renais-PB), Carlos Roberto Lucas, relatou que o atraso na entrega dos medicamentos especializados tem afetado principalmente os pacientes do interior do Estado.

“Quando alguém está sem a medicação, quem tem os remédios divide com quem não tem para que a pessoa não fique prejudicada. São medicamentos imunosupressores usados pela maior parte dos pacientes transplantados de rim e fígado”, disse Carlos Lucas.

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