segunda, 18 de janeiro de 2021

Saúde
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Pacientes têm de enfrentar filas enormes para marcar consultas no Hospital Universitário

Bruna Vieira / 03 de fevereiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
No início da manhã desta quinta-feira (02), a fila para marcação de consultas no Hospital Universitário Lauro Wanderley ultrapassou o portão principal. A instituição justificou que há poucos funcionários para marcar e que as pessoas veem todas ao mesmo tempo, por medo de perder a vaga com os especialistas. O primeiro atendimento deveria ser marcado pelos municípios, que falham na regulação. O HULW presta 700 atendimentos por dia.

A agricultora Josileide Matias saiu às 4h40 de Baía da Traição, no Litoral Norte, para uma consulta com a filha de 13 anos. Depois do atendimento enfrentou a fila para marcar o retorno. “Cheguei 6h30 e a fila estava quase no portão. Em Baía não tem a especialidade que ela precisa. Se não fosse tão longe eu iria para casa e voltaria outro dia par marcar”, disse.

Angela Maria da Silva veio de mais longe marcar a consulta para a mãe. “No município não tem hepatologista. Às vezes é mais rápido para marcar, tem dias que nem fila a gente pega. Foram oito horas de viagem até aqui e a fila estava até lá fora”, contou a professora.

Falha dos municípios. O chefe interino da regulação do Hospital, Leonardo Figueiredo, informou que a unidade encaminha as vagas de primeira consulta para a central municipal, em João Pessoa, responsável pela distribuição entre os 223 municípios. Quando há falha nesse processo e os pacientes vem diretamente ao HU, o fluxo aumenta.

“Os municípios tem que repassar as verbas federais que recebem da saúde para que João Pessoa faça a pactuação. Nós somos um prestador de serviço. Boa parte dos pacientes está vindo direto para cá, muitas vezes com o encaminhamento do próprio médico. Os clínicos gerais não tem domínio, não pedem exames, simplesmente encaminham para os especialistas. Estamos sendo obrigados a criar ambulatórios de triagem, porque às vezes uma pessoa com gripe toma a vaga de um paciente mais grave”, destacou.

De acordo com Leonardo, entre sete e 15 ônibus chegam ao hospital diariamente. “E até 60 carros particulares. A nossa demanda interna é realizada pelos médicos professores. O paciente que vem direto vai tentar se encaixar nessas vagas. Há dois anos a fila dava a volta no prédio. Todo dia às 6h abrimos para atender 150 pessoas no laboratório. Às 7h, oito funcionários iniciam a marcação e em até 3,5 horas está resolvido. Entre 350 e 400 pessoas estão na fila, porque dividimos os dias por especialidade. Se fossem todos no mesmo dia não haveria como marcar entre 14 mil e 16 mil consultas. A fila é porque vem todo mundo no mesmo dia com medo de perder a vaga. Em algumas especialidades até sobram, mas, em outras faltam. Há uma epidemia de diabetes, que traz uma série de agravantes, necessita de endócrino, oftalmo, cardio e vascular. Reumatologista, ginecologista e endócrino são os mais procurados”, revelou.

Para reduzir as filas, Leonardo afirmou que em três ambulatórios há um plano piloto que deve ser ampliado aos demais. “Geriatria, gastroenterologia e psiquiatria, o próprio médico tem a agenda, ele mesmo vai na marcação que libera a vaga. Outro problema é a falta. Nas consultas para 30 dias, 20% dos pacientes não comparecem. Nas de 60 dias, sobre para 30% e nas de 90 dias é 40% de falta, produção perdida. É preciso ter um controle para reduzir. Muita gente falta até por causa da chuva”, reiterou.

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