sábado, 17 de agosto de 2019
Saúde
Compartilhar:

Pacientes relatam problemas de higiene e atendimento no ‘Trauminha’ de JP

Lucilene Meireles / 12 de fevereiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Uma situação caótica toma conta Complexo Hospitalar de Mangabeira Tarcísio de Miranda Burity (Ortotrauma)- Trauminha. Além da demora no atendimento de urgência, inclusive para idosos, a falta de macas, leitos e até a higienização do hospital são problemas corriqueiros, segundo denunciam pacientes e familiares destes. A história da mãe da cabeleireira Maria (nome fíctício) retrata as condições da precariedade de quem depende da saúde pública.

“Minha mãe tem 84 anos e passou 13 dias internada numa cadeira do papai à espera de uma cirurgia no joelho. Não tem enfermaria, nem maca disponível pra todo mundo porque a demanda é muito grande. Na enfermaria, tem barata e isso me deixou bem preocupada. Como um hospital fica desse jeito?”, denunciou.

Conforme Maria, que tem medo de se identificar, já que a mãe ainda não concluiu o tratamento, há muitos pacientes internados em cadeiras, e a unidade não consegue atender de forma correta todos os que procuram socorro. “Minha mãe vai ter que retornar para tirar o gesso e ver se está tudo bem. E agora, depois que vi tudo isso, fiquei pensando em tanta gente naquele hospital, quem está operado”, constatou.

Ela relatou que a mãe foi atendida, inicialmente, na UPA dos Bancários após uma queda. O médico da UPA disse que o caso seria cirúrgico e encaminhou para o Trauminha. Lá, não foi feito raio X no joelho da idosa e ela ficou durante todos esses dias esperando uma cirurgia que, no final das contas, era desnecessária. “Só depois de 13 dias, o médico veio, examinou e pediu para fazer um raio X. Aí, constatou que não seria preciso operar”, lamentou a cabeleireira.

Para ela, é necessário que haja uma grande mudança no hospital. “O que está faltando é um atendimento melhor, alimentação melhor, não tem água gelada, só desorganização, falta de higiene que pode, inclusive, gerar uma infecção. Minha mãe só viu médico no dia que entrou e no dia que seria da cirurgia. Tem que melhorar o serviço. A gente paga imposto e precisa ter um bom atendimento”, opinou.

Pacientes reforçam. Uma aposentada de 66 anos, que também não quis se identificar, passou por uma cirurgia no joelho há três meses e, em breve, fará novo procedimento na outra perna, também no Trauminha. A expectativa dela, porém, é que até lá alguma mudança tenha ocorrido. “Nesse hospital falta limpeza. Além disso, é lotado. Fiquei numa enfermaria com muita gente. Sem contar que tem barata andando à noite, e o banheiro é todo sujo. Fiquei impressionada, porque se trata de um hospital”, detalhou.

E não precisa ter acesso ao interior do hospital para visualizar as más condições de infraestrutura. Um taxista, que também preferiu ficar no anonimato, acrescentou que o prédio do hospital precisa de uma higienização melhor. “É uma imundície. Não é ambiente adequado para tratar pessoas com a saúde já debilitada. Para mim, todo esse caos é uma questão de gestão, de administração. A diretoria não tem capacidade para cuidar e resolver os problemas”, avaliou.

Ainda segundo ele, a maioria das pessoas que elogia o atendimento de médicos e funcionários. “Porém, falta capacitação, por exemplo, dos funcionários da portaria que não estão preparados para lidar com o público”, completou.

Referência



A unidade hospitalar é referência no Estado da Paraíba em cirurgia de urgência e emergência de áreas abaixo do cotovelo e abaixo do joelho. No hospital também são realizadas pequenas cirurgias sem internamento, consultas, exames laboratoriais e por imagem, tratamentos de recuperação motora por meio do Centro de Reabilitação e Tratamento da Dor (Cendor) e urgência psiquiátrica por meio do Pronto Atendimento em Saúde Mental (Pasm).

Esclarecimentos



Em nota, a direção geral do Complexo Hospitalar de Mangabeira Governador Tarcísio de Miranda Burity (Ortotrauma), a instituição conta com organização com base na classificação de risco para atendimento de urgências e ambulatórios, especialmente para cirurgias eletivas. Somente no mês de janeiro foram realizados 604 procedimentos cirúrgicos e em 2018, foram 6.740 cirurgias, de pacientes de João Pessoa e de outros municípios da Paraíba.

A Unidade Hospitalar funciona como ‘porta aberta’ acolhendo todos os usuários que precisem de assistência e, quando necessário, existem pacientes que não são referência no serviço, encaminhando para outros hospitais da rede pública de saúde.

Por fim, a direção do serviço esclarece que tem uma parceria com o Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses (CVaz) da Prefeitura Municipal de João Pessoa, que quinzenalmente faz vistoria no serviço e realiza dedetização na unidade, com intuito de manter a boa higiene, serviço prestado juntamente com a equipe de manutenção do Complexo, além de ajudar a garantir o bem-estar dos profissionais da unidade, pacientes e acompanhantes.

Relacionadas