quarta, 25 de novembro de 2020

Saúde
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Pacientes ocultam sintomas da dengue e zika e colocam a própria vida em risco

Rammom Monte / 28 de janeiro de 2016
Foto: Divulgação
A cada dia sobe mais o número de casos de pessoas com dengue, zika vírus ou chikungunya no país. Mas as estatísticas poderiam ser bem maiores se todas as pessoas que tivessem as doenças procurassem ajuda médica, o que não acontece em vários casos. É o exemplo da comerciante Lindalva Nascimento. Ela conta que seu filho, sua nora e quatro dos seus netos apareceram nos últimos dias com os sintomas da dengue ou zika. Mas nenhum deles procurou a ajuda médica.

“A gente tratou de todo mundo em casa mesmo. Dando chá de boldo e água de coco. Estão até melhorando já. Não adianta ir para o médico. Faz um ano que eu espero um exame, por exemplo, e até hoje não recebi”, relatou.

Porém, esta não é a indicação dada pela Secretaria de Saúde da Paraíba. De acordo com a gerente de vigilância epidemiológica da secretaria, Izabel Sarmento, o órgão, respaldado pelo Ministério da Saúde, recomenda aos pacientes que apresentarem os sintomas das doenças, que procurem ajuda médica.

“De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, todas as pessoas que apresentarem sintomas de dengue, como dores nas articulações, dor no corpo, febre, manchas, devem procurar o posto de saúde mais próximo de sua casa. As Unidades de Saúde da Família têm uma equipes que estão prontamente para receber a demanda”, afirmou.

Ainda de acordo com Izabel, é importante que a população procure os médicos até para evitar que a doença possa vir a se agravar. Ela explica que, caso o tratamento não seja realizado da maneira correta, a dengue pode evoluir para a chamada dengue grave, anteriormente chamada de dengue hemorrágica.

“Os pacientes que apresentarem esses sintomas de alarme, já devem ser encaminhados imediatamente ao hospital para receber uma hidratação venosa. É necessário que os médicos solicitem um hemograma no paciente, para ver as plaquetas, para que evite que o quadro venha evolui e o paciente vir a óbito. Os óbitos, em sua grande maioria, são evitáveis. A dengue se trata com hidratação oral ou venosa”, disse.

Médicos também são orientados

Mas as indicações não se restringem apenas à população. De acordo com Izabel, os médicos também têm recebido uma série de recomendações e qualificações para que possam atender aos pacientes da melhor maneira possível.

“De 2013 para cá, a secretaria vem qualificando os profissionais no manejo clínico da dengue. Notificando, orientando e receitando os principais tratamentos para a população. Eles devem orientar os pacientes para os sinais e sintomas de alarme, em que a dengue pode vir a se agravar, que é a questão do sangramento de pequena proporção nas gengivas, ocular, nasal, dores abdominais, vômito, entre outras”, explicou.

Exames que devem ser feitos

Izabel falou ainda sobre os exames que devem ser solicitados para que se aponte se o paciente tem dengue ou não. “Se o paciente apresentar dor no corpo, articulações, no olho, na cabeça, deve ser solicitado a sorologia, mas só a partir do sétimo dia de sintoma, antes não. Antes tem que ser o NF1, que tem que ser feito do primeiro dia ao terceiro. Este exame vai dar a oportunidade de identificar na corrente sanguínea sinais da dengue. A sorologia só vai ter condições a partir do sétimo dia”, afirmou.

Já sobre o zika vírus, Izabel afirmou que ainda não há, na Paraíba, um exame específico que aponte se o paciente está com a doença ou não, por se tratar de algo recente. Segundo ela, o procedimento que vem sendo adotado pela secretaria, com orientação do Ministério da Saúde, é fazer no paciente que apresente sinais e sintomas da dengue ou zika, um exame que aponte se ele tem a dengue. Caso não seja identificado a dengue, implica-se que o paciente está com zika. Uma espécie de “eliminação”.

“Zika e dengue são muito semelhantes os sintomas. O zika vírus também dá dor no corpo, dor de cabeça, febre ou não, presença de mancha e também pode coçar. A zika não tem uma característica de evolução e que seja letal, mas ainda está em estudo. O tratamento é o mesmo, com analgésicos e anti-térmicos,em caso de febre, repouso e hidratação. Para zika como tudo é novo, não tem exame específico na Paraíba ainda. O procedimento é fazer a coleta e essa coleta segue para dengue, pode ser de um dos dois, os sintomas são semelhantes. O que vai realmente dizer que não está com dengue é a sorologia, nesse momento não tem como fazer zika, é o que o ministério da saúde recomenda. Se não é dengue, a gente aponta para a zika”, finalizou.

73,69% dos imóveis visitados nas ações de combate ao Aedes

De acordo com o relatório de acompanhamento das visitas domiciliares, do Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia, na Paraíba, até o dia 27 de janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros e Prefeituras, já visitou 73,69% dos imóveis em todo Estado, com o objetivo de combater o mosquito Aedes aegypti. O trabalho consiste na entrada de equipes formadas pelos militares e Agentes Comunitários de Endemias (ACE), de casa em casa, a procura de focos e criadouros do mosquito. Ao todo, foram visitados 611.518 imóveis de um total de 829.761. A meta estipulada pelo Ministério da Saúde é que 100% dos imóveis sejam visitados até o dia 31 de janeiro.

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