quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Hospital Napoleão Laureano enfrenta problemas por falta de medicamentos

Lucilene Meireles / 22 de março de 2019
Depois de ficarem as últimas duas semanas sem medicamentos para quimoterapia no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, os pacientes podem ter que enfrentar mais uma vez o problema.. Por falta de recurso, a unidade não consegue dar conta da demanda. Nessa quinta-feira (21), algumas medicações chegaram e os pacientes voltaram a realizar as sessões.

O hospital, que é filantrópico, depende de recursos do SUS e também de doações para evitar que fármacos como a Oxalipatina, para o tratamento de câncer colorretal, o Fluorouracil, usado para inibir o crescimento de células cancerígenas, e o Anastrozol, para câncer de mama, faltem para quem precisa. Estas medicações estão entre as que faltaram, de acordo com os próprios pacientes, mas há outras cujo estoque também havia acabado.

“As medicações que foram solicitadas, as que têm maior necessidade (ele não soube citar quais), foram compradas. Nós estamos com o estoque reposto e vamos tentar mantê-lo assim. Existem grandes dificuldades para manter esse estoque em dia, dando assistência total ao pessoal porque nós trabalhamos na condição de preços, tabela de 2010. É uma tabela que há nove anos não sofre reajuste”, explicou Osias Arruda Neto, diretor geral em exercício. Essa tabela é o valor repassado para o hospital pelo Ministério da Saúde, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Sempre no ‘vermelho’. Uma radiografia do tórax paga pelo SUS é R$ 5,70, segundo Osias. Para fazer este exame é preciso ter um aparelho bom, um técnico com formação, um radiologista, o filme e a máquina que imprime. O valor cobrado não é reajustado desde 2010.

“Se você fizer mil exames, vai dar R$ 5,7 mil. São necessários quatro técnicos para suprir e cada um ganha, líquido, R$ 2,4 mil. Já vai embora mais do que o valor. E o resto? Vai para o negativo. E vamos buscar esse negativo onde? De outras coisas. Essas dificuldades existem e vão existir sempre. O que a gente precisa entender é que houve um aumento no número de pacientes, existe um teto determinado pela SMS. Como o hospital vai fazer? Não tem como. E isso leva exatamente à falta de medicação, porque temos que tirar de um lugar para colocar em outro, para não deixar parar”.

Máquinas quebradas. Um raio que caiu recentemente na região de Jaguaribe danificou dois equipamentos de radioterapia, e o conserto deles não está incluso na tabela do SUS. “Nós temos que tirar dinheiro de onde para botar os aparelhos para funcionar?”, questionou o diretor.

"Houve o aumento de demanda, valores de salários aumentam anualmente e a tabela SUS não sofreu reajuste. Por isso, é impossível determinar até quando o estoque vai durar, mas não dá para muito tempo porque a quantidade de pessoas precisando é muito grande", falou o diretor-geral do Hospital Napoleão Laureano, Osias Arruda.

R$ 3,8 milhões. É o valor repassado mensalmente ao Hospital Napoleão Laureano pelo Ministério da Saúde, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Porém, para suprir a necessidade, seria necessário pelo menos R$ 1 milhão a mais.

Pacientes relatam drama

Para o paciente Marco Antônio da Silva, que trata um tumor no pescoço há um ano, a falta da medicação provocou muita angústia. “Eu tinha feito uma sessão e aí fui informado de que não tinha mais a medicação e que eu tinha que esperar. Foram uns quinze dias que eu deixei de fazer. Agora, que chegou, consegui marcar para segunda-feira que vem, mas tenho medo que falte de novo. Como fica meu tratamento e o de tanta gente que está aí?”, questionou.

Laurineide Sampaio de Aquino, que mora no município de Bom Jesus, no Alto Sertão da Paraíba, trata um câncer de mama e também se sentiu desamparada ao saber que havia faltado a medicação para realizar a quimioterapia.

“Já tinha feito duas sessões. Se não tivesse acontecido isso, já teria terminado o tratamento”, disse ela, que ainda tem quatro sessões pela frente.

Prefeitura responde

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de João Pessoa esclarece que está realizando análises junto à Secretaria Estadual de Saúde (SES) para verificar o aumento da demanda de oncologia na Paraíba.

 

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