sexta, 21 de setembro de 2018
Saúde
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Pacientes de CG que recebiam remédios em casa estão sem serviço há um mês

Wênia Bandeira / 12 de janeiro de 2018
Foto: Chico Martins
Os pacientes hipertensos e diabéticos que recebiam medicação em casa em Campina Grande deixaram de ser atendidos há um mês e só devem voltar a ter os medicamentos em fevereiro.

Segundo a Prefeitura Municipal, problemas com o sistema e falecimento de um servidor foram os motivos para a suspensão do programa Hiperdia Domiciliar. Também está faltando antibióticos e anti inflamatórios nos postos do Programa de Saúde da Família (PSF) e usuários dizem não estar conseguindo realizar o cadastro para receber insumos para controle de diabetes. “Está suspenso porque nós tivemos um problema no nosso sistema e a pessoa que ia organizar o sistema faleceu no final do ano. Infelizmente a gente está tendo que ver outra pessoa para que possa entrar no sistema e a gente possa mandar para a casa”, explicou a farmacêutica responsável pela Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), Karine Moura.

De acordo com ela, a expectativa é que o funcionamento volte ao normal em fevereiro. A medicação chamada não-corriqueira, como antibióticos e antiinflamatórios, também está em falta. A última distribuição foi feita no início de dezembro e não tem previsão para que o serviço volte a ser fornecido.

Karine Moura falou que ainda não há recursos financeiros, que são encaminhados pelo Governo Federal, para pagar pela medicação. “A gente está com o pedido pronto, esperando que a dotação chegue e que o recurso chegue para que a gente possa empenhar e enviar para os fornecedores”. A dotação esperada é da ordem de R$ 3.650 milhões para atenção básica

Ela salientou que a medição de uso contínuo está disponível porque há estoque. No entanto, a reportagem recebeu denúncia de que há diabéticos aguardando há cinco meses para realizar o cadastro e recebeu insumos.

“Se está esperando é porque não foi até a unidade saber da medicação dela, o que tem que entender é que do mesmo jeito que nós temos a responsabilidade de abastecer, o paciente também tem que ir atrás de saber o que está acontecendo porque não recebeu a medicação. Nós temos em estoque”, garantiu a farmacêutica.

A dona de casa, Ana Paula do Nascimento, 35 anos, informou que está precisando abrir mão de compras para a casa porque está desembolsando um valor alto para custear o tratamento de sua filha, Ana Eloisa do Nascimento, nove anos, diabética tipo 1.“Eu vou até lá praticamente todos os dias, mas dizem sempre que está suspenso e não explicam o motivo. A minha filha não está verificando a glicemia todos os dias porque nós não temos condição de comprar as três caixas de fita de medição que a médica prescreveu”, contou Ana Paula.

Ela está adquirindo apenas uma caixa, que custa em torno de R$ 60. A renda da família é de um salário mínimo, o que impossibilita a aquisição dos insumos que a criança precisa mensalmente. “Mexe muito com orçamento da gente, é humilhante porque é tratado como se você não precisasse”, lamentou.

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