terça, 19 de janeiro de 2021

Saúde
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O medo da febre amarela se espalha pelo Brasil

Aline Martins e Ainoã Geminiano / 26 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
Depois da chegada da dengue, da zika e da chikungunya, as autoridades sanitárias estão empenhadas em evitar a entrada de mais uma doença na Paraíba: a febre amarela. A doença tem aterrorizado os morados do estado de Minas Gerais e está comprovado que, no meio urbano, o transmissor é o Aedes aegypti, mosquito que tem alta incidência no Estado. Alguém que viaje para o estado mineiro e volte infectado com o vírus da febre amarela, pode ser picado pelo mosquito, que transmitirá a doença para outros moradores locais. Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde da Capital (SMS) de João Pessoa fará, na próxima semana, uma reunião com empresas, secretarias e associações ligadas ao trade turístico, para estabelecer procedimentos que identifiquem viajantes que cheguem com sintomas suspeitos da doença na Paraíba e os encaminhe para o serviço de saúde.

Segundo o gerente de Vigilância Epidemiológica de João Pessoa, Daniel Batista, a vinda de pessoas infectadas e depois picadas pelo Aedes, foi a forma como a zika e a chikungunya entraram e se espalharam no Nordeste. “A mesma coisa pode acontecer com a febre amarela. Mas isso pode ser evitado se as pessoas adotarem os cuidados devidos, assim como teria sido evitada a entrada dessas outras doenças. É importante dizer que ninguém deve deixar de viajar. Mas se retornar com sintomas desconhecidos, parecidos com os da febre amarela ou até mesmo da dengue, deve imediatamente procurar um serviço de saúde para ser tratado e assim evitar a transmissão da doença em nosso território”, disse. Daniel acrescentou que o vírus da febre amarela tem um período de incubação, no qual o portado acha que não está com a doença e, por isso, deixa de ir ao médico.

Até agora, 41 mortes por febre amarela no país foram confirmadas pelo Ministério da Saúde, com 438 casos notificados e 70 confirmados. Os números já superam o último grande surto da doença, que aconteceu entre 2007 e 2008, quando foram confirmados 48 casos e 28 mortes. São Paulo, uma das rotas mais procuradas pelos paraibanos, está entre os estados mais afetados. O surto da febre amarela silvestre têm deixado muitas gente preocupada. Por aqui, somente com as notícias vindas da região Sudeste do país, o medo tem provocado uma corrida em busca de vacina, até mesmo de quem não precisa ser vacinar. Somente este mês, até ontem, 694 pessoas tomaram a vacina em João Pessoa, o que representada um aumento de 124% se comparado com o mesmo período do ano passado. A vacinação é a principal recomendação da SMS para quem vai viajar para regiões infectadas.

Daniel Batista explicou que, na Paraíba e em outros estados do Nordeste, não há circulação da febre amarela. Segundo ele, é uma doença endêmica presente nas regiões Norte e Centro-Oeste do País e agora na região Sudeste. “Nem todos os municípios desses estados têm casos também, principalmente porque ela é uma doença de incidência nas regiões de mata, em zonas rurais”, frisou.

A orientação da SMS é que só devem ser imunizadas as pessoas que vão viajar para as regiões endêmicas ou que vão para o exterior. “A vacina é produzida a partir do vírus vivo atenuado. Então, o que acontece é que ele pode provocar alguns sintomas e ser confundido com febre amarela. Por isso se recomenda que 10 dias antes de viajar, tome a vacina. Primeiro para conferir imunidade e segundo se tiver intercorrência de um evento adverso e a pessoa ainda está no município e a secretaria poderá tomar as medidas para verificar se foi alguma reação da vacina”, afirmou, destacando que se não for viajar para essas áreas não deve tomar a imunização porque pode sofrer com as reações desnecessárias.

Em João Pessoa, o Centro Municipal de Imunização, que fica no antigo Lactário da Torre é a unidade de referência para quem vai viajar, seja para informações ou para imunização.

SINTOMAS

▶ Dor no abdômem e costas

▶ Calafrios

▶ Fadiga

▶ Febre

▶ Mal-estar ou perda de apetite

▶ Náusea ou vômito

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