quinta, 21 de janeiro de 2021

Saúde
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O mal do esquecimento se chama Doença de Alzheimer

Luana Barros e Nice Almeida / 10 de setembro de 2015
Foto: Arquivo da família
Os primeiros sintomas de esquecimento geravam brincadeiras e arrancavam risos da família. Até que um dia a aposentada Rita Maria da Conceição, agora com 87 anos, confundiu o próprio chinelo com um pedaço de carne e cismou de cozinhá-lo para fazer uma sopa. A atitude acendeu o sinal de alerta nos filhos e netos e eles decidiram procurar um médico neurologista. O diagnóstico veio logo após alguns exames: era Alzheimer, uma doença do cérebro que produz uma atrofia progressiva e leva à perda das habilidades de pensar, raciocinar, memorizar e ainda afeta as áreas da linguagem e produz alterações no comportamento.

Mas, o diagnóstico de dona Rita acabou sendo um tanto tardio, porque na época que os primeiros sinais foram apresentados, no ano de 2000, a doença era pouco conhecida e não despertou os familiares para o mal. "A gente achava estranho o jeito que ela estava agindo. Mas, naquela época nem se falava em Alzheimer, então nem passava por nossa cabeça que esse era o problema. Somente depois de muito tempo decidimos procurar o médico e ficamos assustados, já que tudo era novo pra gente", contou Irení Silva, uma das filhas da aposentada que tem sete filhos, 21 netos e 24 bisnetos.

De acordo com o médico Neurologista Ronald Lucena, é muito simples a família identificar o problema. "Basta prestar atenção no comportamento diário da pessoa afetada. Quando a mesma se queixar de esquecimento, falha ou perda de memória constante. Recomenda-se que a pessoa procure um médico neurologista ou geriatra imediatamente. Pode não ser algo importante. Entretanto, pode ser o início da Doença de Alzheimer que não tem cura, mas cujo tratamento precoce atrasa o desenvolvimento da doença, produz melhora na memória, torna mais compreensível as mudanças que vão ocorrer e melhora a convivência com o paciente", explicou o especialista.

As fases do Alzheimer

Ronald Lucena também ressaltou que a doença tem três fases: leve, moderada e grave. Na fase leve, podem ocorrer alterações como perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões e sinais de depressão.

Na fase moderada, são comuns prejuízo de memória, esquecimento de fatos mais importantes, nomes de pessoas próximas, incapacidade de cozinhar e de cuidar da casa, dependência importante de outras pessoas, necessidade de ajuda com a higiene pessoal, maior dificuldade para falar e se expressar com clareza, alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação), ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes) e alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).

Na fase grave, há o prejuízo gravíssimo da memória e muita dificuldade na recuperação de informações antigas como reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos, dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição. Pode haver incontinência urinária e fecal e intensificação de comportamento inadequado. Há tendência de prejuízo motor, que interfere na capacidade de locomoção, sendo necessário auxílio para caminhar. Posteriormente, o paciente pode necessitar de cadeira de rodas ou ficar acamado.

Com dona Rita foi assim. Mais de dez anos depois de descoberto o Alzheimer ela já não fala, não anda e só come comidas pastosas. "Ela agora é nosso bebezinho. Temos que dar banho, comida e os cuidados são redobrados, já que ela não fala mais. Meus irmãos e eu nos revezamos nos cuidados com ela, além dos netos que também ajudam. Mas vez por outra nos pegamos chorando lembrando de como nossa mãe era. Alegre, ativa, cheia de vida", falou com carinho Carmem Balbino, outra filha da aposentada.

Mês do Alzheimer

A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), em parceria com o Aché, promove em setembro o mês do Alzheimer, para conscientizar a população sobre a doença e alertar para a importância do diagnóstico precoce. Em João Pessoa, haverá plenária na Assembleia Legislativa, no próximo dia 21, para discutir a saúde do idoso. Serão 150 iniciativas em 18 estados em que a Abraz atua. Hoje, estima-se que 1,2 milhão de brasileiros tenham a doença.

Morte cresce na Paraíba

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o número de mortes por Alzheimer cresceu 25,32%, em três anos. Enquanto em 2014 foram registrados 287 casos, no ano anterior foram 282 e, em 2012, 229.

10 sinais importantes que podem ajudar identificar precocemente a doença:



  1. Perda de memória, especialmente de acontecimentos recentes;


  2. Dificuldade em executar tarefas do cotidiano, como usar o telefone;


  3. Desorientação com relação ao tempo e espaço;


  4. Problemas de discernimento, como dificuldade em se vestir de acordo com a estação do ano, por exemplo;


  5. Problemas de linguagem, como esquecimento de palavras simples associado à dificuldade de compreensão da fala e da escrita;


  6. Dificuldade em fazer contas ou mesmo reconhecer os números;


  7. Trocar o lugar das coisas, como colocar o ferro de passar roupa na geladeira, por exemplo;


  8. Alteração brusca do humor sem razão aparente;


  9. Alteração na personalidade de modo a se identificar na pessoa apatia, confusão ou desconfiança;


  10. Perda de iniciativa, com características de desinteresse pelas atividades habituais.


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