segunda, 23 de abril de 2018
Saúde
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Número de transplantes de rim na PB é baixo

Beto Pessoa / 15 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
A Paraíba realizou 17 transplantes de rim ente janeiro e junho deste ano, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). O número revela que o estado está aquém das ações necessárias para a captação dos órgãos, avalia a Associação de Renais Transplantados e Doadores da Paraíba. O presidente da entidade, Carlos Roberto da Silva, disse que o volume de procedimentos mostra a falta de políticas públicas efetivas no estado. De acordo com o representante da associação, o histórico de procedimentos já realizados na Paraíba refuta o principal argumento da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que afirma não existir doadores.

“Quando perguntam à diretoria da Central de Transplantes, eles dizem que faltam doadores. Isso não é verdade, o que falta é colocar os médicos da captação próximo às famílias dos possíveis doadores. Em 2012 e 2013 tivemos em média 60 transplantes de rim em cada ano, o que nos colocava, proporcionalmente, no topo dos estados que fazem transplante. Hoje somos um dos piores”.

Doações recusadas. O estudo da ABTO revela que 65% das entrevistas realizadas com as famílias dos possíveis doadores na Paraíba terminam em recusa. “Existe uma equipe no Hospital de Trauma que entrevista a família, mas elas têm desistido de doar porque a equipe médica não comparece nas primeiras horas junto às famílias”, destacou Carlos Roberto da Silva.

A consequência disso é que, enquanto outros estados têm alto volume de transplantes de órgãos doados por falecidos, os paraibanos precisam que o rim seja doado por pessoas vivas. Dos 17 transplantes realizados até junho, segundo a ABTO, 8 foram de pessoas vivas e 9 de pessoas falecidas.

No comparativo com outros estados é possível acentuar essa diferença: Pernambuco teve apenas 9 doações por pessoas vivas, contra 176 por falecidos; Ceará foram 3 doações por pessoas vivas, contra 96 por falecidos; Bahia foram 9 doações por pessoas vivas, contra 70 por falecidos; Rio Grande do Norte foram 8 doações por pessoas vivas, contra 41 por falecidos; Maranhão foram 8 doações por pessoas vivas, contra 18 por falecidos; Piauí foram 4 por pessoas vivas, contra 15 por falecidos; Alagoas foram 7 doações por falecidos, nenhuma por pessoas vivas.

Até junho deste ano a Paraíba tinha 441 pessoas na lista de espera por algum órgão. Destes, 286 de córnea, 153 de rim e 2 de fígado, revela o estudo da ABTO. Três hospitais da Paraíba estão habilitados para a realização do transplante de rim: Hospital Nossa Senhora das Neves (HNSN) e Hospital Memorial São Francisco, ambos em João Pessoa, e Hospital Antônio Targino, em Campina Grande.

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