terça, 11 de maio de 2021

Saúde
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Número de mortos por vírus HIV cai cerca de 9% na Paraíba

Ainoã Geminiano / 28 de novembro de 2018
Foto: Reprodução
O Ministério da Saúde (MS) divulgou nessa terça-feira (27) o novo Boletim Epidemiológico HIV/Aids, mostrando que houve queda na taxa de mortalidade pela doença no País. A taxa é calculada pela proporção do número de mortes para cada 100 mil habitantes. A Paraíba apresentou uma redução de 8,8% na taxa, embora o número absoluto de mortos tenha crescido, o que significa que a população cresceu mais que os óbitos. A situação do Estado também preocupa pela quarta pior avaliação do País, no “Índice Composto”, utilizado pelo MS para verificar a qualidade do atendimento a portadores de HIV/Aids, com base nas taxas de detecção e de mortalidade, além da primeira contagem de CD4 (células de defesa), que mostra se o diagnóstico é precoce ou tardio.

Para o Governo Federal, a queda na taxa de mortalidade se deve ao aumento da oferta de tratamento, aumento do acesso aos testes rápidos e redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento. A avaliação dos novos dados comparou números de 2014 e 2017. Nesse período, a taxa de mortalidade por Aids no País caiu de 5,7 pessoas em cada 100 mil habitantes, para 4,8. Na Paraíba, a taxa caiu de 3,4 para 3,1, embora o número de mortos tenha subido de 136, em 2014, para 139, em 2017. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), o teste rápido e o tratamento estão disponíveis nos PSFs dos 223 municípios, mas a procura pelo diagnóstico e a adesão correta ao tratamento ainda são desafios a serem vencidos.

“O tratamento gratuito está disponível em todos os municípios, mas a falta de adesão correta ao tratamento impede a redução de mortes. Antes o paciente tomava o chamado “coquetel”, que tinha de 18 a 25 comprimidos ao longo do dia. Hoje são no máximo três comprimidos, mas as pessoas ainda ficam resistentes, porque alguns organismos apresentam efeitos colaterais incômodos”, explicou Ivoneide Lucena, gerente Operacional de IST, HIV, Aids e Hepatite, da SES-PB.

No ranking de avaliação do atendimento, pelo “Índice Composto” Paraíba tem o quarto pior resultado entre os 27 Estados. Para a SES-PB, a baixa procura pelo diagnóstico precoce, o que rebaixa a avaliação do Estado no Índice Composto.

“A meta 90 90 90 da Unaids é diagnosticar pessoas ainda com HIV, antes que desenvolva a doença. Em 2013 tivemos 112 diagnósticos de HIV e 411 de Aids. Em 2017 invertemos para 557 diagnósticos de HIV e 296 de AIDS. Mas temos uma população jovem, com idade entre 15 e 34 anos, em sua maioria homens, que resistem em procurar o teste rápido. Muitos homens só são diagnosticados porque suas mulheres grávidas foram diagnosticadas no pré-natal. Daí vamos procurar os maridos e constatamos que também estão infectados”, acrescentou Ivoneide.

Alerta

Por fim, a gerente da SES fez um alerta para a negligência dos jovens com o perigo da doença.

“Estamos recebendo adolescentes de 15 e 16 anos, no hospital Celementino Fraga, que foram infectados com o HIV na primeira relação sexual. Os jovens estão deixando de usar preservativos, muitos deles com a desinformação de que a Aids virou uma doença crônica como a Diabetes, mas que não mata e pode ser controlada. Estão deixando de usar preservativo confiando no tratamento, o que é um erro absurdo. Os pais precisam conversar muito sobre isso com seus filhos”, concluiu.

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