quinta, 13 de maio de 2021

Saúde
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No meio do caminho tem fisioterapia para ajudar crianças a recuperar a locomoção

Luís Eduardo Andrade / 13 de fevereiro de 2017
Foto: Luís Eduardo Andrade
O corpo é uma das mais valiosas propriedades dos seres humanos. É através dele que nos locomovemos, que interagimos com os outros, que nos alimentamos e até respiramos. E nos causa temor só de pensar em ter alguma dessas funções excluída, ou até mesmo atenuada. Mas quando isso acontece com crianças que estão apenas começando a desenvolver suas funções motoras, a situação pode ser cruel.

O pequeno Pierre, de 5 anos, é um exemplo disso. Ele tem uma disfunção chamada hemiparesia, que é uma espécie de paralisia branda em um dos lados do corpo. Com o problema, Pierre tem dificuldades para andar e utilizar sua mão esquerda para atividades corriqueiras. Porém, depois de um ano e meio frequentando sessões de fisioterapia, a sua mãe, dona Elizabeth Abdias, já nota diferenças na vida do filho.

“Um aluno me indicou a clínica-escola e já faz um ano e seis meses que estamos frequentando. Antes ele não abria a mão, e hoje ele abre, pula, levanta, abre gavetas utilizando a mão. Foi um grande avanço.”, constatou Elizabeth.

O menino é um dos beneficiados por um projeto que vem sendo desenvolvido por alunos de fisioterapia da Facvldade Maurício de Nassau. Eles decidiram tomar uma providência para mudar a realidade de Pierri e de tantas outras crianças. O projeto coordenado pela professora Nícia Farias Maciel, e realizado pelos alunos do oitavo período do curso de fisioterapia, visa produzir exercícios lúdicos e diferentes, a fim de tratar crianças com disfunções motoras, como também aperfeiçoar o aprendizado das mesmas. E como todo projeto acadêmico, ele teve seu início dentro da sala de aula.

A professora Nícia, que ministra a disciplina de Fisioterapia Pediátrica, pediu aos alunos que criassem aparelhos que estimulassem as crianças. “Sugeri que os alunos desenvolvessem matérias que estimulassem coordenação motora, equilíbrio, sensibilidade, caminhar. Várias situações que as crianças têm problemas, e nós pensamos em uma forma de intervir para o bem-estar dela”, afirmou a professora.



Colaboração. Segundo Nícia, os pacientes têm que pagar uma taxa de atendimento por sessão, mas que é irrisória comparada às demais clínicas de fisioterapia. Sem contar, que no projeto, os pacientes terão total atenção de mais de um profissional e um tratamento totalmente amplo e voltado especialmente para as crianças. Além do trato terapêutico das funções motoras e psicológicas dos pacientes, as sessões ainda permitem a interação com outras crianças, que ajuda na socialização.

Alunos aproveitam a prática

Os alunos aprovam a oportunidade de exercitar na prática o que aprendem na teoria dentro da sala de aula. “É importantíssimo para o desenvolvimento acadêmico. Quanto mais atividades fora de sala, melhor pro nosso futuro. Quando tem prática, você aprende e fixa mais as coisas, e isso é muito importante pra nossa aprendizagem.”, disse Onésio Costa, estudante do oitavo período, que pretende trabalhar com fisioterapia pediátrica.

Sustentabilidade. E não é só a criançada que é beneficiada pelo projeto, mas também o meio ambiente. Todos os equipamentos e aparelhos produzidos pelos alunos para ajudar no tratamento das crianças são feitos em material reciclável. Foram utilizados tecidos de diferentes texturas para aguçar o tato das crianças, garrafas plásticas para fazer treinamentos com as mãos, além de canos de PVC para jogos de percepção visual. Além disso, todos os equipamentos são bastante coloridos para entretê-los durante os exercícios. “Todo esse material que fizemos é de lixo reciclável. Coisas que aparentemente não tinham utilidade e transformamos em brincadeira e tratamento pras crianças. É um brincar que a gente ajuda a criança a melhorar.”, afirmou a estudante Raísa Fernanda.



Vagas disponíveis

Segundo a professora orientadora do projeto, Nícia Maciel, os alunos podem atender até dez pacientes por dia, porém esse número está bem acima da realidade. Isso porque, eles estão acompanhando cerca de três crianças por dia, e procuram mais pacientes que precisem dos serviços. A professora faz o convite a todos os pais que têm filhos com dificuldades motoras e neurológicas que compareçam até a clínica-escola da Facvldade Maurício de Nassau para marcar horário de atendimento. A clínica fica na Avenida São Paulo, número 1103, no Bairro dos Estados. O atendimento acontece das 8h às 17h.

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