quarta, 18 de setembro de 2019
Saúde
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Na PB, 78% da população tomam remédio sem indicação médica

Lucilene Meireles / 07 de maio de 2019
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil
Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já tomou analgésico para aliviar uma dor de cabeça, anti-inflamatório para a garganta ou até mesmo um antibiótico que sobrou do último tratamento. A maioria sabe que a automedicação é um erro, pois pode causar efeitos colaterais graves, mas 78% dos paraibanos com mais de 16 anos admitiram que se automedicam. É o que aponta a pesquisa ‘Automedicação no Brasil’, do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ).

Domingo, dia 5, foi o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, e ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de João Pessoa realizou uma ação para conscientizar a população.

O dado sobre o uso indiscriminado de medicamentos é preocupante, porque a atitude pode trazer prejuízos à saúde, alterar a ação de outros fármacos e, em alguns casos, levar à morte. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), entre 2011 e 2017, foram registrados 18 óbitos por esta causa na Paraíba.

“Recentemente, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) junto com o Datafolha publicou uma pesquisa mostrando que mais de 70% da população se automedica, sem orientação. Um dos principais riscos é o de intoxicação, mas pode matar”, destacou a presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) na Paraíba, Cila Estrela Gadelha.

Luciane Costa, gerente de Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica da SMS, alerta que as pessoas procurem o profissional de saúde, médico ou farmacêutico – e não balconista. “Existem medicamentos que fazem mal mesmo para aquela indicação que ele tem. Uma dipirona pode fazer mal se você é alérgico e não sabe. Além disso, a dose do medicamento e o tempo de uso também têm importância, como é o caso do antibiótico”, ressaltou.

Ela disse ainda que o uso inadequado de remédios pode acarretar muitos danos à saúde. “Por exemplo, antibióticos com doses erradas podem levar a resistência bacteriana ou o uso de muitos medicamentos que interagem entre si, podem agravar o quadro do paciente. Então, é muito importante procurar a orientação de um farmacêutico”.

Por economia de tempo. Entre os motivos que levam as pessoas a não se consultarem com um médico é que as unidades de saúde normalmente estão superlotadas e o atendimento acaba sendo demorado. A dona de casa Risonete Santos, 59 anos, disse que não perde tempo indo a um posto de saúde.

Ela admite que toma analgésico quando sente dor e também apela para os anti-inflamatórios. “É um hábito comum. A gente sente uma dor de cabeça e não vai procurar um médico. Toma o remédio e pronto”, disse.

Para o aposentado Rosil Rodrigues, 58 anos, as dores na coluna sempre o levam a tomar remédio por conta própria. “Eu já ouvi muito falar sobre os riscos, mas na hora da dor a gente só quer saber de melhorar”, afirmou.

Conscientização. Ontem, quem passou pelo Parque da Lagoa, em João Pessoa, aproveitou para tirar dúvidas e receber orientações sobre o uso racional de medicamentos. A dona de casa Risonete Santos e o aposentado Rosil Rodrigues aproveitaram para participar e aprenderam sobre a importância de evitar a automedicação.

“Nossa campanha é no sentido de conscientizar as pessoas sobre os riscos do uso de medicação, orientando sobre o uso correto do medicamento e lembrando a importância do farmacêutico, que orienta de forma adequada”, observou a presidente do CRF, Cila Estrela Gadelha.

A ação foi realizada pela SMS, em parceria com o CRF–PB, Sindicato dos Farmacêuticos da Paraíba (Sifep) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As atividades aconteceram durante todo o dia, envolvendo farmacêuticos, estudantes do curso de farmácia e residentes multiprofissionais que esclareceram mitos e verdades sobre o uso de medicamentos. Foram ofertados serviços como verificação de pressão arterial, teste de glicemia e orientação farmacêutica.

"Muitas vezes, o uso do medicamento pode piorar o quadro do paciente no lugar de melhorar. Por isso, a gente orienta sempre a procurar orientação do profissional, farmacêutico ou médico. Nunca usar porque alguém usou ou que sobrou de outra pessoa." - Luciane Costa, gerente de Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica da SMS

79% dos brasileiros acima de 16 anos admitem tomar medicamentos sem prescrição médica ou farmacêutica.

Na pesquisa, foram ouvidas 2.090 pessoas, em 120 municípios. O ICTQ não informou o total de entrevistados na Paraíba. As entrevistas de campo foram realizadas em setembro de 2018.

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