sábado, 17 de agosto de 2019
Saúde
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Na Paraíba, 780 mil pessoas podem ter diabetes e não sabem

Ainoã Geminiano / 30 de abril de 2019
Foto: Divulgação/José Lins/Secom-PB
A Paraíba tem atualmente 220 mil pessoas diagnosticadas com diabetes, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Mas esse número pode se aproximar de 1 milhão de pessoas, se aplicado o resultado de pesquisa publicada ontem pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), que aponta que cerca de 20% dos brasileiros pode ter diabetes e não saber. O levantamento foi feito em parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), entre os dias 14 de novembro e 12 de dezembro do ano passado, analisando o resultado de exames de 17.580 pessoas, de todos os Estados, que não tinham diagnóstico da doença. Na Paraíba, 445 pessoas participaram da pesquisa e, considerando a população atual do Estado (3,7 milhões de pessoas), a estimativa é de que cerca de 780 mil pessoas podem estar com diabetes, sem saber. A SES oferece acompanhamento na rede pública para as pessoas com a doença no Estado.

Durante um mês, os voluntários atendidos em farmácias privadas, farmácias públicas, postos de saúde e universidades, foram submetidos a testes de glicemia, cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e responderam a um questionário sobre hábitos alimentares, prática de exercícios físicos, histórico familiar de diabetes e histórico de testes de glicemia anteriores. Nos resultados finais, 22,6% dos pacientes apresentaram risco alto ou multo alto para desenvolvimento de diabetes, 20,1% apresentou risco moderado, 35,2% risco levemente moderado e 22,1% tem risco baixo.

O Conselho Federal de Farmácia ainda não calculou os resultados por unidade da federação, mas os primeiros resultados da pesquisa mostraram que, das cinco regiões do País, o Nordeste apresentou o segundo maior percentual de glicemia elevada (acima de 100mg/dl, em jejum) do País. A região Centro-Oeste teve o maior percentual (24,6%) e o Sudeste, registrou o menor índice (15,6%).

Diabetes

É uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue usar a insulina produzida de forma adequada. A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas, que tem a função de fazer com que as células do organismo transformem a glicose (açúcar) em energia. Dessa forma, a ausência ou insuficiência da insulina provoca aumento da quantidade de açúcar no sangue, principal manifestação da diabetes.

Por conta das formas de deficiência de insulina, a diabetes é classificada em Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) e Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). O DM1 ocorre quando o pâncreas deixa de produzir insulina, o que pode acontecer por razões hereditárias ou acidentais. O DM2 ocorre quando o organismo produz insulina, mas o faz em quantidade insuficiente ou a insulina não consegue funcionar corretamente. As complicações mais comuns de diabetes não tratada são: doenças cardiovasculares, cegueira, doenças renais e amputação de membros.

Sedentarismo

Durante as entrevistas com os voluntários, os farmacêuticos aplicaram um questionário de padrão internacional para aviação de risco de diabetes, segundo o CFF. Entre os fatores de risco identificados, o sedentarismo foi o de maior número de registro.

“A insulina funciona como uma chave, que abre a célula para a entrada da glicose. Quando o indivíduo está acima do peso, a gordura bloqueia os terminais das células, impedindo o correto funcionamento da insulina. A pesquisa é uma amostra de como a vida moderna tem dificultado os bons hábitos alimentares e as pessoas devem repensar suas rotinas, colocando a saúde em primeiro lugar”, disse a farmacêutica Josélia Pena Frade, uma das coordenadoras do levantamento.

Fatores de risco



Prática de exercício físico

32% praticam regularmente

68% não praticam

Verduras e frutas diariamente

57% consome

43% não consome

Histórico de glicemia elevada

16% nunca tiveram

84% já tiveram

Familiar com diabetes

42% não tem

37% tem pais, irmãos ou filhos

21% tem avós, tios e primos

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