quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Moradores convivem com o medo da malária no Conde

Katiana Ramos / 04 de junho de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
A confirmação de pelo menos um caso de malária por mês, desde março deste ano, está deixando os moradores de algumas localidades do município do Conde, Litoral Sul do Estado, amedrontados. Os moradores alegam que estão tomando as medidas preventivas, conforme orientação da Secretaria de Saúde, no entanto, em algumas comunidades a população denuncia a falta da visita periódica dos agentes de saúde às residências e postos de saúde sem médico.

Moradora da área rural da comunidade Village de Jacumã, Franssinete Pedrosa diz que não recebe a visita de agentes de saúde semanalmente. Para se proteger dos mosquitos, ela revela que usa repelente e ventilador. “Eles não passam muito. Às vezes só uma vez por mês. A gente se protege como pode. É o jeito”, comentou. A localidade da aposentada está entre as áreas de foco do mosquito hospedeiro do protozoário transmissor da malária, no Conde. Conforme reportagem do CORREIO, no dia 22 de maio, os demais casos têm sido registrados ainda em Jacumã, Rio do Ouro, Carapibus e Capadócia.

Próximo à Capadócia (Nova Canaã), no bairro Ademário Régis, estão as casas de Vera Lúcia Pereira e Maria das Neves Silva. Assim como Franssinete Pedrosa, elas revelaram que tomam os cuidados básicos no interior das residências e na parte externa, como quintal e jardim, para evitar a proliferação de mosquitos. No entanto, não escondem o medo de ser a próxima vítima da malária. “Faço a limpeza do meu quintal todos os dias, limpo os vasos das plantas para não deixar água parada, porque também tem o perigo do mosquito da dengue. Mas, é uma coisa que a gente não tem como saber se pode acontecer ou não”, disse Vera Lúcia.

Já na comunidade da Capadócia, onde foi diagnosticado um dos oito pacientes com diagnóstico positivo para a malária, a dona de casa Valéria Santos denuncia a falta de médicos no posto de Carapibus e ainda uma orientação mais constante da Secretaria de Saúde do município para os moradores da comunidade.

“Aqui o pessoal da saúde veio mais no começo, quando uma mulher que mora aqui adoeceu e foi se tratar em João Pessoa. Depois disso, nunca mais. A gente é que vai atrás, nos postos de Jacumã e Valentina, porque o daqui está sem médico”, denunciou.

Outra moradora que não quis se identificar confirmou a falta de médico no posto mais próximo à comunidade. Para ela, essa é uma dificuldade até mesmo para buscar ajuda e orientação em caso suspeito.

“Aqui a gente é rodeado de mato, tem muita muriçoca. Então, as crianças adoecem e a gente fica sem saber pra onde levar e se vai ter médico pra atender. Já fui no posto do Valentina, em João Pessoa, pra ser atendida”, disse a moradora.

PARAÍBA

Já são oito os casos confirmados de malária. Os últimos foram diagnosticados dia 31 de maio e no sábado, dia 1º de junho.

Medidas de combate e prevenção continuam



Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria Municipal de Saúde do Conde informou que as medidas de combate e prevenção à malária continuam. De acordo com a assessoria, as ações têm sido realizadas em conjunto com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e, nos casos do diagnóstico de pessoas em condições menos graves da doença, o tratamento está sendo realizado no próprio município, com medicação disponível.

Sobre a falta de médico na unidade de saúde de Carapibus, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o processo de contratação do novo profissional está em andamento. Contudo, não foi informado o prazo para a regularização do atendimento no posto.

Por sua vez, a gerente executiva de Vigilância em Saúde da SES, Talita Tavares, ressaltou que o trabalho de busca ativa dos casos nas comunidades do Conde é uma das medidas prioritárias que devem ser mantidas pelos profissionais do município, oportunizando assim a identificação dos casos nos primeiros dias com o objetivo de interromper a transmissão do parasita; bem como a ida ao serviço de saúde daquela pessoa que reside no Conde ou que esteve no município no período de 8 a 30 dias anteriores à data dos primeiros sintomas e iniciou febre, acompanhada ou não de cefaléia, náuseas, fadiga, anorexia, calafrios, sudorese, cansaço, mialgia e tremores. “Essas pessoas devem realizar exame de Teste Rápido e/ou Exame Gota Espessa para malária e, se positivo, iniciar a medicação de imediato”, alertou.

Segundo Talita Tavares, o município de Conde tem equipe médica qualificada para iniciar a medicação dos casos positivos quando esses chegam sem complicações. “Nessa semana inicia-se a qualificação de mais profissionais da Vigilância Ambiental do Município para ampliarmos a borrifação, não só nas casas onde tivemos casos confirmados, mas também nas casas próximas”, adiantou a gerente.

Os ciclos do UBV pesado, que é o carro fumacê, tem atuado no município para redução da densidade populacional do mosquito "Anopheles” e seguirá acontecendo com semanas intercaladas até o início de julho.

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