domingo, 22 de abril de 2018
Saúde
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Microcefalia: o que é a anomalia que colocou o Nordeste em estado de emergência em saúde

Rammom Monte / 12 de novembro de 2015
O Ministério da Saúde decretou Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional nesta quarta-feira (11) por conta do aumento no número de bebês nascidos com microcefalia. A Paraíba está entre os estados que estão sendo investigados. Mas, afinal, o que é microcefalia? O Correio Online falou com o neurocirurgião Leonardo Matias para explicar o que é, o que causa e como tentar evitar esta doença.

De acordo com Leonardo, a microcefalia é uma condição médica em que o indivíduo tem uma diminuição no crânio em relação a pessoas da mesma idade. Segundo ele, a alteração pode ser diagnosticada ainda durante a gravidez, no período do pré-natal, ou após o nascimento. Ainda de acordo com o neurocirurgião, o tamanho ideal para o crânio de recém-nascidos é que seja maior que 33 centímetros. Ele explica ainda que, em 90% dos casos, a criança pode ter um atraso no desenvolvimento neuropsíquico, mas algumas crianças podem vir a ter uma vida normal.

Em entrevista coletiva dada na quarta-feira (11), o ministro da saúde, Marcelo Castro, afirmou que ainda não se pode apontar uma causa exata para o aumento no número de casos. Segundo Leonardo Matias, vários fatores podem ocasionar a microcefalia.

“Fatores genéticos e também fatores ambientais, como infecções por vírus e bactérias, e até mesmo radiação pode ocasionar a microcefalia. Rubéola, catapora podem ser causas, por exemplo. Este aumento exacerbado está sendo associado com o zika vírus, porém isto ainda não foi confirmado”, explicou.

Leonardo aponta que a melhor maneira de se evitar a microcefalia é fazendo a prevenção cada vez mais cedo, com o pré-natal. Segundo ele, o uso do ácido fólico (presente durante o período pré-natal) pode diminuir as chances de ocorrer a microcefalia.

Tratamento

Ainda de acordo com o neurocirurgião, caso a criança nasça com a microcefalia, é preciso que haja após o nascimento um acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos de diferentes especialidades, além de fisioterapeuta e fonoaudiólogo, principalmente nos casos em que as crianças apresentem alguma falha no desenvolvimento.

Segundo ele, a Paraíba registrou um aumento no número dos casos em 2015 em relação ao ano passado. Além de indicar o pré-natal cada vez mais cedo, o neurocirurgião afirmou ainda que, apesar de ainda não haver uma relação concreta com o zika vírus, a população deve tomar medidas para combater o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti

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