sábado, 17 de agosto de 2019
Saúde
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Mês de maio tem Dia Nacional de Controle à Infecção Hospitalar

Lucilene Meireles / 17 de maio de 2019
Foto: Imagem ilustrativa/Pixabay
A Paraíba não tem um número preciso dos casos de infecção hospitalar e a subnotificação dos indicadores de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (Iras) é considerado um desafio pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). Através da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde, a SES destaca que a notificação contribui para que medidas de controle específicas sejam realizadas, prevenindo novos agravos. Em João Pessoa, desde 2017, o Hospital Municipal Santa Isabel, por exemplo, conseguiu reduzir os casos de infecção hospitalar em 29%, e a meta é diminuir em 50% até o final de 2020. O Dia Nacional de Controle à Infecção Hospitalar foi lembrado em 15 de maio.

A infectologista Monnara Lúcio da Silva Bezerra, coordenadora da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde, disse que quando os estabelecimentos de assistência à saúde e suas equipes conhecem a magnitude do problema das infecções e passam a aderir aos programas para prevenção e controle de Iras, pode ocorrer redução de até 70% para algumas das Infecções relacionadas à assistência à saúde, como as infecções da corrente sanguínea.

Ela explicou que, para melhoria dos indicadores, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu metas estratégicas para redução das taxas de incidência de infecções hospitalares, como a notificação correta sobre os casos das Iras. “A meta nacional de redução da densidade de incidência é de 30% das infecções primárias de corrente sanguínea em pacientes em uso de cateter venoso central em unidades de terapia intensiva até o ano de 2020, citando como exemplo”, informou.

A SES mantém atuante uma comissão estadual de controle de infecção em serviços de saúde que busca implementar as orientações sanitárias quanto ao controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. A partir daí, conforme a coordenadora, se recomenda a cada instituição de saúde um programa de controle dessas infecções com foco na prevenção. “Por conseguinte, na redução destas, isto por meio de ações das mais complexas que envolvem orientações técnicas e legais, até as ações mais simples como a higienização das mãos com água e detergente líquido. Prevenindo as infecções relacionadas à assistência à saúde se interrompem os óbitos”, esclareceu.

Sem informações. A reportagem solicitou à SES o número de casos de infecção hospitalar registrados no Estado, nos últimos dez anos, além do total de óbitos no mesmo período, mas as informações não foram enviadas. Segundo a SES, não há óbito por infecção hospitalar. Os dados são a partir da informação do atestado de óbito. Lá a informação é infecção generalizada ou a causa base da internação.

"Com base nas notificações recebidas e com a vigilância realizada é possível estabelecer um cenário da resistência microbiana do País. Entretanto, a subnotificação ainda é um desafio para o monitoramento das Iras e da resistência bacteriana. O objetivo é definir o perfil epidemiológico do País e o conhecimento real dos problemas para seu adequado enfrentamento. Assim como prevenção dos agravos e redução da morbimortalidade pelo fortalecimento de ações visando a segurança do paciente" comentou coordenadora da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde, Monnara Lúcio da Silva Bezerra.

20% a 30%. São os percentuais aproximados das infecções hospitalares consideradas preveníveis através de programas de controle e higiene intensivos.

Causadores do problema



As infecções hospitalares resultam da interação entre os agentes mórbidos com o meio ambiente e o homem, podendo determinar uma infecção a partir do momento em que diminuem as defesas naturais do organismo em relação ao agente agressor.

Estes casos se referem aos processos infecciosos adquiridos no hospital, àqueles não identificados na admissão do paciente por dificuldade diagnóstica ou prolongado período de incubação, e que se manifestem durante a sua permanência e até mesmo depois de sua alta.

Monnara Lúcio da Silva Bezerra explicou que, num estabelecimento assistencial de saúde, as principais fontes de infecção decorrem de causas ligadas ao ambiente, pessoal, equipamento, material, veículos, desempenho deficiente das técnicas de trabalho e uso indiscriminado de antibióticos.

Índice aceitável. As taxas de infecções relacionadas à assistência são variáveis, dependendo de fatores como o perfil do estabelecimento de saúde - se é de baixa ou alta complexidade; a localização do paciente dentro do serviço de saúde - se UTI, ala cirúrgica, emergência, entre outros; como da própria vulnerabilidade do paciente, ao uso de dispositivos invasivos (como sonda vesical, cateter venoso central). Porém, conforme a coordenadora da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde, estão associadas, principalmente, ao cumprimento medidas de prevenção às infecções com a adesão da equipe assistencialista aos protocolos de boas práticas visando à redução das taxas de infecções relacionadas à assistência em saúde.

Ela destacou que as medidas de prevenção devem ser adotadas em todos os estabelecimentos de assistência à saúde, seja no âmbito hospitalar, em estabelecimentos de cuidados de pacientes crônicos ou na assistência domiciliar.

Medidas de prevenção



-Lavagem das mãos de acordo com a técnica correta.

-Inserção dos dispositivos invasivos usando os protocolos e check list de segurança do paciente.

-Adesão às técnicas de cirurgia limpa.

-Manejo adequado da ferida operatória.

-Uso racional dos antimicrobianos.

Ameaça das superbactérias



A emergência de microrganismos resistentes às diversas classes de antimicrobiano tem sido progressiva nas últimas décadas, e elas são uma ameaça à saúde pública em todo o mundo. O problema, segundo Monnara Bezerra, é decorrente, entre outros fatores, da ocorrência de mutação bacteriana e pelo uso indiscriminado e inadequado dos antimicrobianos.

Ela explicou que o uso clínico dos antimicrobianos exerce papel selecionador das cepas resistentes e, provavelmente, é a principal causa da resistência, sobretudo a observada no ambiente hospitalar de cuidados críticos, onde o uso destas drogas é maior, como nas unidades de terapia intensiva.

Quanto ao perfil dos microrganismos em UTIs adulto, é importante citar a notificação de bactérias com perfil de ampla resistência antimicrobiana como o Staphylococcus aureus resistente a oxacilina, Enterococcus spp., Acinetobacter spp., Pseudomonas aeruginosa com resistência aos carbapenêmicos de acordo com os dados nacionais disponibilizados pela Anvisa. Nos Gram negativos pertencentes à família Enterobacteriaceae, as taxas de resistência aos carbapenêmicos e às cefalosporinas de amplo espectro (terceira e/ou quarta gerações) para Escherichia coli, Klebsiella Pneumoniae e Enterobacter spp. também foi notória. “A distribuição varia dependendo da região, sendo alguns microrganismos mais frequentes em uma região que em outra”, disse.

Semana de doação - Banco de Leite faz atividades:

De assessoria. O Banco de Leite Zilda Arns da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está promovendo uma série de atividades em alusão à Semana Nacional de Doação de Leite Humano. A programação segue até o dia 24, com orientações nas maternidades e Unidades de Saúde de João Pessoa sobre amamentação, incentivo ao aleitamento materno e importância da doação de leite. A programação tem objetivo de mobilizar a população sobre a importância da doação de leite materno, tendo como finalidade, mostrar para as mães que estão amamentando que elas podem ser doadoras e apontar os benefícios da amamentação para as usuárias do serviço.

Legislação. No Brasil, a publicação da Lei nº 9.431 de 06 de janeiro de 1997, dispõe sobre a obrigatoriedade da manutenção de programa de controle de infecções hospitalares pelos hospitais do País. Há também a Portaria Nº 2616, de 12 de maio de 1998, que define as diretrizes e normas para prevenção e o controle das infecções hospitalares.

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