segunda, 21 de setembro de 2020

Saúde
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Mais de 480 cães com diagnóstico de calazar

Lucilene Meireles / 07 de janeiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Até a última semana de novembro, o Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses de João Pessoa realizou 2.636 exames dos quais 483 tiveram resultado positivo para a leishmaniose visceral em cães, mais conhecida como calazar. Os números de dezembro ainda não estão consolidados porque o segundo teste, ou seja, os exames confirmatórios, ainda estão em análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Do total, 1.787 testes foram feitos em cães levados até o Centro, com 395 resultados positivos no segundo exame de sangue. As demais amostras foram coletadas, através da busca ativa, em residências e áreas onde ocorreram casos da doença.

O gerente do Centro de Zoonoses da Capital, Nilton Guedes, explicou que é importante realizar o exame anual, disponível no local, já que os sintomas podem ser confundidos com outras doenças. “O correto, para definição, é fazer o teste rápido. Caso seja positivo, é enviado para o Lacen estadual para fazer o confirmatório”, destacou. Segundo ele, embora alguns pesquisadores afirmem que há cura para a doença, o Ministério da Saúde não confirma a informação.

Muitos cães que chegam em estágio avançado do calazar e são submetidos à eutanásia. Mesmo assim, nem todos passam pelo procedimento. “Alguns donos levam para clínicas para outra análise, outros só trazem para eutanásia quando a situação se agrava. Nós temos a obrigação de informar dos riscos, orientar sobre a transmissão, mas é o dono quem decide se vai ou não entregar o animal para o procedimento”, declarou o gerente. A costureira Rita Célia Ferreira relatou que seu cão tem suspeita de calazar. Os sintomas são recentes, mas ela já procurou o Centro de Controle de Zoonoses. “Fiquei apavorada. Levei para fazer o teste. Soube que é tratável, mas oneroso. Se for confirmado no segundo exame, fico com o coração partido, mas terei que recorrer à eutanásia”.

Nilton Guedes esclareceu que, diferente dos animais, a doença é curável em humanos. A orientação é que se tiver sintoma como febre diária sempre no final da tarde, procure um médico da Atenção Básica que vai avaliar. Entre os aspectos observados está a presença de alguma doença associada. Se houver suspeita, o paciente é encaminhado para diagnóstico e tratamento.

Em animais, o teste rápido para diagnóstico do calazar é feito desde 2013. O Centro de Controle de Zoonoses realiza ainda uma ação educativa com ONGs e protetores de animais. Com isso, tem sido possível identificar a doença em estágio inicial e evitar que outros cães sejam infectados.

Doença. A leishmaniose visceral ou calazar é transmitida pelo mosquito-palha, conhecido popularmente como ‘birigui’. Quando o inseto é portador do protozoário Leishmania chagasi, ele introduz, ao picar um cão, o parasita na corrente sanguínea do animal. Além dos cachorros, a doença pode afetar roedores e animais silvestres, como gambás e raposas.

Serviço

▶ Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses de João Pessoa

▶ Teste – é gratuito e o resultado sai em 25 minutos.

▶ Avenida Walfredo Macedo Brandão, n° 100, Bancários

▶ Telefones – 3218- 9357 e 0800 2827959 para atendimento à população

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