quinta, 03 de dezembro de 2020

Saúde
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Mães de micrócefalos enfrentam dificuldades e abandono dos companheiros

Fernanda Figueirêdo / 13 de fevereiro de 2016
Foto: Chico Martins
Em Campina Grande, 26 mulheres estão sendo atendidas no Ambulatório Especializado em Microcefalia, que funciona no Hospital Municipal Pedro I, no bairro São José, e a maioria se queixa da falta de assistência e também do preconceito nutrido pela sociedade. Além disso, algumas delas foram deixadas pelos companheiros.

O abandono dos homens, pais das crianças, é um problema recorrente em Pernambuco, Estado que se mantém no topo do ranking de casos de microcefalia, e que já começa a se evidenciar também na Paraíba.

Ianka Barbosa, 18 anos, moradora do bairro Malvinas, em Campina Grande, conta que o companheiro a abandonou logo após a ultrassonografia ter diagnosticado a microcefalia da filha, agora recém-nascida. Eles já têm um filho de dois anos.

“Minha família, pais e irmãos, sempre me apoiaram. O meu namorado e os pais dele foi que sumiram, certamente com medo de como a menina ia nascer. Acho que tiveram vergonha. Agora, que já viram que não é coisa de outro mundo, estão querendo se reaproximar”, disse.

Um caso de vários. A garota considera que seu caso seja apenas um entre vários, já que a maioria das mulheres prefere não falar do problema com vergonha do que os outros vão pensar.

“Acho que aqui na Paraíba deve ter outras mães que foram abandonadas, elas só não querem falar disso. Eu não ligo. Nunca fiquei assustada com a doença dela. Comecei o tratamento ontem, ela ainda fará todos os exames e solicitarei o benefício do INSS, porque não vou poder trabalhar para cuidar mais dela”, disse.

Miriam de França, 24, de São José dos Cordeiros, no Cariri, também não se importa com os olhares diferentes que as pessoas lançam ao seu bebê, apesar de sentir o preconceito de parte da sociedade. “É uma doença nova que assusta. Mas todo mundo se apaixona por Lucas em menos de cinco minutos. É um bebê saudável, esperto, simpático, que chora e ri como qualquer outro”, afirmou.

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