segunda, 10 de dezembro de 2018
Saúde
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Lei assegura exame para detectar trombofilia na Paraíba

Lucilene Meireles / 07 de dezembro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
“Toda intenção de fazer o melhor pelo povo é muito boa, mas tem mulher com indicação da Enoxaparina e falta medicação (na rede pública). Então, é melhor gastar com medicação para quem precisa do que com o exame”. A observação é da hematologista Thais Celi Lopes Benevides, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, sobre a aprovação da proposta da vereadora Raíssa Lacerda (PSD) que garante às mulheres gestantes o exame diagnóstico para trombofilia, doença que altera a coagulação sanguínea e aumenta o risco de aborto. A estimativa é que 20% das mulheres sejam afetadas.

Ela explicou que a medicação é cara e as mulheres não têm como pagar. “Para se ter uma ideia, a mulher com trombofilia tem que tomar uma injeção diária durante os nove meses de gestação. Cada injeção de Clexane custa em torno de R$ 100. Melhor seria não deixar faltar a medicação e, além disso, não negar o exame para quem realmente precisa”, justificou a especialista.

Para chegar a um diagnóstico de trombofilia são necessários vários exames e, de acordo com a hematologista, a literatura recomenda que só se pesquise em algumas situações, como pacientes que têm casos na família, seja mãe, irmã, tia, prima, ou se já teve perda gestacional. “Eu acho que vai onerar o município e estressar a mulher porque ela vai chegar no consultório apreensiva. Ao meu ver, só as que já têm histórico devem ter a indicação, assim como as que tiveram perda, AVC (acidente vascular cerebral) ou histórico familiar. É importante ter acesso ao exame e ao Clexane”, explicou.

O custo médio dos exames, segundo ela, varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Para o SUS (Sistema Único de Saúde), segundo ela, seria um custo alto. “A gravidez é um fator de risco a mais porque, sozinha, já é um fator a mais de risco para trombose, mas apenas as que tiveram perda gestacional, AVC, algum evento ou as que têm histórico familiar devem fazer”, reforçou a médica.

Exame

As mulheres gestantes que moram em João Pessoa vão contar, em breve, com um exame para diagnosticar a trombofilia, doença que altera a coagulação sanguínea e aumenta o risco de aborto. A proposta da vereadora Raíssa Lacerda (PSD) foi aprovada na Câmara Municipal no dia 21 de novembro. Agora, falta apenas a sanção do prefeito Luciano Cartaxo para começar a valer. Conforme a proposta, a investigação começa na primeira consulta do pré-natal.

O Projeto de Lei Ordinária (PLO) prevê, além do diagnóstico, o tratamento da doença na rede pública da Capital. O objetivo é assegurar às mulheres que têm essa alteração uma gestação mais segura, já que as alterações na coagulação sanguínea aumentam o risco de trombose.

A reportagem não conseguiu ouvir a vereadora. Já a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa disse, através da assessoria de comunicação, que já atende pessoas com trombofilia e que não pode falar sobre a PLO, pois ele ainda aguarda a sanção do prefeito para começar a valer.

 

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