sábado, 20 de julho de 2019
Saúde
Compartilhar:

Lançado alerta sobre risco de surtos de meningite no Brasil

Ainoã Geminiano / 18 de abril de 2019
Foto: Divulgação
O Ministério da Saúde (MS) e a Sociedade Brasileira de Imunizaçoes (Sbim) reuniram jornalistas de todo Brasil, em São Paulo, para lançar um alerta sobre o risco da volta de surtos de meningite no Brasil. Segundo o MS, a cobertura vacinal contra a doença caiu em todo País e, em algumas regiões, já existe um panorama favorável a ocorrência de surto. Na Paraíba, o dado preocupante é a baixa vacinação de adolescentes entre 11 e 14 anos, que são considerados os principais transmissores de meningite bacteriana. Menos de 40% desse público está vacinado no Estado.

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), do MS, Carla Domingues, os dados de cobertura do Ministério apontam queda de procura por vacinas, a partir de 2016. “As vacinas estão na rede pública, mas os pais não estão comparecendo seja por influência de fake news ou pela ilusão de que os filhos estão protegidos, já que as doenças estão controladas. Só que uma doença como a meningite só é controlada se as vacinas continuarem sendo administradas. Outros pais comparecem de forma tardia ou não completam as doses necessárias. A eficiência da vacina só acontece quando são feitas todas as doses e na data correta”, explicou.

Segundo o pediatra Marco Aurélio Sáfadi, 95% dos casos de meningite registrados no País são causados pelas bactérias pneumococos, meningococo e hemophilos. A primeira mata até 35% dos pacientes e deixa sequelas graves em 35% dos sobreviventes. A meningo mata 20% das pessoas e deixa sequela em 20% dos sobreviventes. Já a hemophilo tem uma letalidade em torno de 10%. “É uma doença muito grave e 95% das pessoas que tiveram no Brasil eram pessoas sadias”, alertou.

Sáfadi explicou que 10% das pessoas sadias são hospedeiras de menigococo na laringe, mas não desenvolvem meningite graças às defesas do organismo. No entanto se tornam transmissores da doença.

Durante as apresentações para os jornalistas, em São Paulo, a coordenadora do PNI exibiu dados da cobertura vacinal no País. No ano passado, a Paraíba vacinou apenas 20% dos adolescentes com 12 anos e cerca de 10% dos que têm 13 anos. Já com relação a crianças com menos de 1 ano, o abandono de vacinação é o sexto menor do País, mas a existência de Estados com abandono acima de 10% compromete a eficiência da vacina. “Não adianta vacinar em uma região se a doença circula em outras. Prevalece o risco de contaminação, por meio das pessoas que circulam”, destacou.

Mais vacinas. Atualmente a rede pública de saúde oferece gratuitamente a vacina contra meningite C, o tipo mais frequente no Brasil. Mas o aumento da circulação de outros sorogrupos fez o Ministério da Saúde decidir ampliar a oferta e vai disponibilizar também a vacina CWY, contra os sorogrupos identificandos com essas letras.

“Nós estamos esperando apenas que apareça um laboratório com capacidade de produzir na quantidade necessária. Fizemos um pregão no ano passado e deu deserto porque nenhum laboratório se apresentou com essa capacidade. Vamos fazer novos pregões porque já existe recurso garantido e autorização para a compra”, disse Carla Domingues.

O repórter Ainoã Geminiano viajou a convite da Sbim.

"Por conta dos hábitos de vida, de festas, baladas, beijos entre outros, os adolescentes entre 11 e 14 anos são os maiores transmissores. Por isso o Ministério da Saúde extendeu a vacinação para esse público. Antes apenas recém-nascidos eram vacinados, mas com o tempo se entendeu que vacinar adolescentes era importante para conter a transmissão." - Marco Aurélio Sáfadi, pediatra

3º turno nos postos



A coordenadora do PNI disse que, como estratégia para aumentar a cobertura vacinal, o Governo Federal está estudando uma forma de ajudar Estados e prefeituras a custerarem o terceiro turno nos postos de saúde onde acontece vacinação. “Os estudos mostram que a maioria das mães e pais trabalham em dois turnos. O expediente noturno vai facilitar a vida desses pais e no final dar mais eficácia aos programas de vacinação”, disse.

Sobre a doença



O que é

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos ou processos não infecciosos como, por exemplo, medicamentos e neoplasias. Entre os agentes infecciosos, as meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública e clínico, devido a sua magnitude, capacidade de causar surtos e, no caso da meningite bacteriana, a gravidade.

Sintomas

Bacteriana Início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço. Muitas vezes há outros sintomas, como mal estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), confusão mental. Podem surgir ainda sintomas mais graves como convulsões, delírio, tremores e coma. É mais grave que a viral.

Transmissão Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Já outras bactérias podem se espalhar por meio dos alimentos

Meningite viral Os sintomas são febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, náusea, vômito, falta de apetite, irritabilidade, sonolência ou dificuldade para acordar do sono, letargia (falta de energia), fotofobia.

Transmissão Pode ocorrer por meio fecal-oral. Os vírus podem ainda ser adquiridos por contato próximo (tocar ou apertar as mãos) com uma pessoa infectada; tocar em objetos ou superfícies que contaminadas e depois tocar nos olhos, nariz ou boca antes de lavar as mãos, trocar fraldas de uma pessoa infectada, depois tocar nos olhos, nariz ou boca antes de lavar as mãos, beber água ou comer alimentos crus que contenham o vírus.

Prevenção

Além de evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos, a melhor forma de prevenção é através da vacinação.

Fonte: Ministério da Saúde

Relacionadas