terça, 19 de março de 2019
Saúde
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JP e CG concentram maioria dos partos na Paraíba; 116 cidades não fazem procedimento

Wênia Bandeira e Ainoã Geminiano / 22 de novembro de 2018
Foto: Arquivo
Dos 223 municípios paraibanos, 116 não fizeram sequer um parto em 2016. O dado, que é o mais recente, parte de um estudo do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). O material ainda acrescenta que muitas cidades contam com uma maternidade, mas não fazem atendimentos a gestantes. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) declarou que faltam profissionais e uso correto dos recursos federais por parte dos governos municipais.

De acordo com o vice-presidente do CRM-PB, Antônio Henriques, mais da metade dos nascimentos no Estado são concentrados em duas cidades. “Campina Grande e João Pessoa respondem por 58% dos partos, são mães que saem de suas cidades e procuram os dois maiores municípios para ter atendimento obstetrício”, afirmou, com base no levantamento do CRM-PB.

O estudo mostra ainda que 15 municípios detêm este tipo de atendimento, com 19 maternidades entre públicas e privadas. A chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da (SES), Fátima Moraes, afirmou que o problema é principalmente falta de médicos em cidades pequenas. “A gente não tem recursos humanos para realizar partos em todos os municípios, a gente não tem pediatra e não tem neonatologista para estar em todos os municipais porque os médicos não querem ir para o interior. E se não tiver todos os especialistas, o CRM fecha a maternidade porque diz que a equipe está incompleta”, falou.

De acordo com ela, todos os serviços obstétricos realizados no interior da Paraíba são fornecidos pelo Estado. Fátima lembrou que a maternidade da cidade de Patos demorou anos para ser inaugurada por falta de profissionais que quisessem assumir o funcionamento da UTI neonatal. A chefe declarou que “existem muitos gargalos por falta de profissionais suficientes que queiram ir para o interior do Estado”.

Além disso, ela salientou que os municípios não utilizam os recursos federais como deveriam. “Todos os municípios são plenos de sistemas, os gestores municipais precisam assumir as suas gestantes. Muitas vezes eles não cumprem a Programação Pactuada e Integrada (PPI) e deixam a cargo do Estado, mas os recursos chegam direto, sem passar pelo Estado. Esta é uma responsabilidade tripartite – federal, estadual e municipal”, disse.

Para a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher, apenas Campina e João Pessoa se preocupam em utilizar os recursos. Ela ainda afirmou que a maior parte dos partos são feitos nestas cidades sem o repasse dos recursos por parte dos municípios de origem. “Não adianta mais as duas maiores cidades do estado investirem em maternidade e saúde pública porque as pessoas vão continuar saindo de suas casas para ocupar as vagas quando deveriam ser responsabilidade do município de onde vieram”, acrescentou.

As duas maiores maternidades da Paraíba, o Isea, em Campina Grande, e o Cândida Vargas,na Capital, são geridos pelos governos municipais.

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