quinta, 21 de junho de 2018
Saúde
Compartilhar:

Jovens comem muito doce e vivem risco constante da diabetes

Ainoã Geminiano / 08 de abril de 2016
Foto: Rafael Passos
Na Paraíba, quase 9 mil pessoas morreram com a doença nos últimos cinco anos. Mesmo assim, a Capital está entre as dez com menos casos diagnosticados.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta que um em cada cinco brasileiros consome doces em excesso, cinco vezes ou mais na semana. A situação se repete em todas as capitais, mas os dados regionais ainda não foram divulgados pelo MS. O índice é ainda maior entre os jovens: um terço da população de 18 a 24 anos no país possui alimentação com excesso de açúcar. Esses hábitos preocupam diante do avanço de doenças crônicas no país, em especial o diabetes. Os dados são da pesquisa Vigitel 2015 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), lançado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira, Dia Mundial da Saúde. O estudo monitora fatores de risco para doenças crônicas. Foram entrevistados por telefone 54 mil adultos (18 anos ou mais) que vivem nas capitais brasileiras.

Myrian Lucena, tem apenas 14 anos e come doce todos os dias, chegando a substituir algumas refeições pelas guloseimas. “É a preferência pelo sabor, aliada à praticidade de os doces já estarem prontos”, disse. Ela e mais quatro amigos se encontraram ontem para um lanche da tarde, com cardápio exclusivo de doces. “A gente sabe os riscos que isso tem pra saúde, mas há uma idéia de que somos imunes, que a doença nunca vai acontecer conosco”, disse Bruno Dias, de 15 anos. Dos cinco amigos, três têm histórico familiar com diabetes, o que potencializa o risco de desenvolverem a doença.

Internações reduziram. Segundo o Ministério da Saúde, o número de internações devido a complicações da doença reduziu 11,5% nos últimos cinco anos no país. Em 2015, foram 67,1 internações por 100 mil habitantes contra 75,9 por 100 habitantes em 2010. Ano passado, foram registradas 137,4 mil internações por agravos da doença no SUS, a um custo de R$ 92 milhões. Mas ainda é alto o número de pessoas que morrem por causa do diabetes no Brasil, foram registradas 58.017 óbitos em 2013. Na Paraíba, apesar da redução de 15% nas mortes, nos últimos cinco anos, o período registrou 8.888 óbitos pela doença.

A mortalidade prematura (pessoas com menos de 70 anos) também caiu no país, segundo o MS, entre 2000 e 2013, acompanhando a tendência em relação ao óbito.

Cuidado com o pé

A complicação mais frequente da doença, o chamado “pé diabético”, ocorre quando uma área machucada ou infeccionada nos pés desenvolve feridas. Cerca de 20% das internações por diabetes deve-se a lesões nos membros inferiores e 85% das amputações não traumáticas são precedidas de feridas. Para reduzir esses índices, o Ministério da Saúde lança o Manual do Pé Diabético para orientar profissionais de saúde na assistência ao paciente.

Cuidados simples, como a procura diária nos pés de feridas, bolhas ou áreas avermelhadas, bem como observar a presença de dormência e até mesmo orientações quanto ao tipo de sapato utilizar, são importantes no diagnóstico e assistência adequada e podem evitar uma futura complicação ou mesmo a amputação. Essas e outras medidas estão presentes no documento que será disponibilizado para as equipes de Atenção Básica e de outras unidades de saúde.

Segundo dados do Vigitel, 87,2% da população com diabetes utiliza medicamento para controle da doença. O SUS oferece gratuitamente tratamento como insulinas e medicamentos, além de reagentes e seringas que ajudam no monitoramento do índice glicêmico do paciente. Esses produtos estão disponíveis nas unidades de saúde ou na Farmácia Popular, que está presente em mais de quatro mil municípios. Por meio deste programa, no ano passado, mais de 6,2 milhões de pacientes buscaram medicamentos gratuitos para diabetes. Esse número é mais que o dobro do total beneficiado em 2011 (2,6 milhões).

 

Leia Mais

Relacionadas