domingo, 15 de julho de 2018
Saúde
Compartilhar:

João Pessoa tem lista de espera para doação de fígado, mas faltam doadores

Luís Eduardo Andrade / 25 de agosto de 2017
Foto: Luís Eduardo Andrade
Na última terça-feira (22), um aposentado de 63 anos recebeu alta após fazer um transplante de fígado no Hospital da Unimed Alberto Urquiza Wanderley, porém, nem todos os que precisam de um órgão novo têm a mesma sorte. Atualmente, João Pessoa, conta com uma lista de espera de quatro pessoas que aguardam por um fígado, mas o medo e o preconceito impedem a doação dos órgãos.

De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes da Paraíba, Gianna Liz Montenegro, as famílias dos possíveis doadores de órgãos têm medo e desconhecimento sobre o processo retirada dos órgãos do corpo da vítima. “Para a família, é difícil entender que um paciente morreu quando ele tem morte encefálica decretada, pois ele apresenta batimentos cardíacos, sistema excretor funcionando, então é difícil entender que ele esteja morto. Essa é a dificuldade, mesmo após o diagnóstico da morte. Também há outras dúvidas, como a deformidade do corpo. Muitas famílias acham que o corpo vai estar com vísceras expostas, sangramentos aparentes. Todas essas questões são motivos de dúvida, mas são esclarecidas”, comentou.

Ainda, a médica Gianna Liz busca informar as pessoas que a doação é uma forma de manter uma parte do ente querido vivo em outra pessoa. “É preciso que as pessoas entendam que eles vão ter a oportunidade de continuar vivendo dentro de outra pessoa. Muitos se sentem gratificados, e é até um conforto para aquela perda. Por isso, esse assunto deve ser conversado em casa, desde o ambiente familiar, pois a morte pode chegar sem esperar”, garantiu.

O responsável pelo transplante realizado na última semana em João Pessoa, o médico Cássio Virgílio Cavalcanti revela a tristeza de perder vítimas que poderiam ter sido salvas. “Nosso maior sofrimento é quando a gente sabe que muitas pessoas estão morrendo na fila porque não chegou doador e não podemos fazer nada. Ficamos impedidos de salvar mais vidas, de fazer mais transplantes por conta do baixo índice de doação”, disse o médico.

Álcool e gordura

Cássio Virgílio ainda salientou que os maus hábitos alimentares das pessoas são a principal causa para problemas no fígado. “A legislação não permite que transplante quem tenha bebido seis meses atrás, por isso antes da cirurgia é preciso uma reeducação. A obesidade e fígado gorduroso evoluem para insuficiência hepática, ou cirrose. A principal causa ainda é o alcoolismo”, disse.

 

 

 

Relacionadas