sábado, 08 de maio de 2021

Saúde
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João Pessoa ganha centro público de hemodiálise

Aline Martins / 17 de maio de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Quatro vezes por semana, o aposentado Flávio Roberto Xavier Moura, 45 anos, faz hemodiálise em uma clínica de João Pessoa. O tratamento começou em 2010 quando ele perdeu um rim e o outro ficou comprometido devido à doença renal policística. No cotidiano, a rotina dele é semelhante à de qualquer outra pessoa, mas segue algumas restrições alimentares e de líquidos. “Temos que tomar menos de um litro por dia, isso juntando o cafezinho, a água e o suco, o que é muito difícil”, comentou. Para melhorar a qualidade de vida dos pacientes foi inaugurado nessa quarta-feira (16), em João Pessoa, o Centro de Hemodiálise Municipal Geraldo Guedes Pereira, em Tambiá.

Além da doença policística que tem como característica a presença de múltiplos cistos nos rins, Flávio Roberto revelou que a pressão alta e o descuido com a alimentação contribuíram para o comprometimento de suas funções renais. A maioria dos pacientes realiza três sessões por semana, mas o aposentado faz uma a mais, no domingo. “Eu chegava muito cansado na segunda-feira para a hemodiálise e foi recomendado fazer uma sessão no domingo. Há uns seis ou oito meses que não urino”, revelou, acrescentando as dificuldades em relação à restrição de líquidos e também as consequências do problema renal, pois já tirou a tireóide e o aumento do número de sessões por semana, passando de duas para quatro, o que tem sido difícil para a vida dele, pois depende de um transplante.

No dia a dia, ele evita o consumo de comidas de origem animal e crustáceo por recomendação médica. Devem-se ainda evitar alimentos ricos em proteínas e potássio.

O médico nefrologista Joaquim Paiva Martins destacou que o paciente fica dependente da hemodiálise até a realização do transplante renal. Também explicou que o que é esse tratamento. “Hemodiálise é um tratamento que vai substituir a função renal. Só é indicado quando paciente perde totalmente a função renal. O paciente vai perdendo progressivamente a função renal principalmente os diabéticos e os hipertensos”, contou, acrescentando que uma pessoa com problemas renais pode viver bem, dentro dos limites, e com dependência de uma máquina. Contou casos de pacientes que engravidaram, outros que viajaram para outros estados e conseguiram fazer as sessões na unidade federativa para qual viajou.

Ainda de acordo com o especialista, é feito uma avaliação para saber se o paciente necessita de transplante. Caso necessite, ele entra no cadastro nacional de transplantes se não tiver um familiar compatível para doar o órgão. Sobre os fatores de riscos para o colapso renal, Joaquim Paiva Martins explica. “Uma pessoa pode ter insuficiência renal sem sentir nada, totalmente assintomático. Quando faz o exame está tudo modificado, isso é a regra. Geralmente o paciente é hipertenso ou diabético, tem edema, inchação, mas via de regra o paciente não sente nada. Por isso uma vez por outra é bom fazer o exame, um sumário de urina, uma creatinina no sangue, principalmente os que estão em risco como diabéticos e hipertensos”, afirmou. Os exames devem ser feitos uma vez por ano, já aqueles que têm alguma patologia é indicado fazer a cada seis meses.

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