quinta, 21 de janeiro de 2021

Saúde
Compartilhar:

João Pessoa fica em 1º lugar no ranking de violência sexual contra mulheres

Katiana Ramos / 24 de novembro de 2017
Foto: Reprodução
João Pessoa é a primeira capital do Nordeste com o percentual mais alto de mulheres vítimas de violência sexual e a segunda com o maior percentual de mulheres vítimas de violência doméstica, do tipo emocional. As informações estão na pesquisa “Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (PCSVDFMulher), da Universidade Federal do Ceará e divulgada nesta quinta-feira (24) pela ONU Mulheres. De acordo com a pesquisa, 27% de todas as entrevistadas já foram vítimas de violência doméstica.

Outros 17% das nordestinas revelaram que foram agredidas fisicamente pelo menos uma vez na vida e a violência sexual atingiu 7,13% delas. No caso de João Pessoa, 32,59% das mulheres ouvidas sofreram violência emocional ao longo da vida. O percentual é o terceiro maior do Nordeste. Outras 17,87% sofreram agressão física. Já o percentual de violência sexual (8,80%) entre as moradoras da capital paraibana lidera o ranking nordestino.

Gestante é agredida

Com relação à violência física, o estudo aponta as cidades de Salvador (BA), Natal (RN) e Fortaleza (CE) como as mais violentas ao longo da vida das mulheres. A pesquisa verificou ainda as agressões sofridas pelas mulheres enquanto estavam gestantes. As agressões em todas as fases da gravidez acometeram 34% das entrevistadas (6% no universo de 10 mil mulheres). Os dados revelam implicações para a saúde das mulheres, incidindo sobre os seus direitos sexuais e direitos reprodutivos, e das crianças.

Em João Pessoa, 5,9% das entrevistadas afirmaram que foram agredidas durante a gestação. Quanto aos agressores, os ex-parceiros são apontados pelas vítimas como os principais autores da violência física e sexual. Já os parceiros atuais estão relacionados às agressões psicológicas. Para o professor José Raimundo Carvalho, coordenador mundial e pesquisador principal da pesquisa, os resultados são frutos de um trabalho inédito de cientistas nacionais e internacionais. “Compilamos aqui, pela primeira vez, um conjunto de dados único e longitudinal que aborda a violência doméstica e seu desenvolvimento cognitivo-emocional e suas inter-relações no impacto das gerações”, destaca José Raimundo, que conduziu a pesquisa com o professor Victor Hugo Oliveira.

Relacionadas