sábado, 16 de janeiro de 2021

Saúde
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Jejum prolongando coloca saúde em risco e pode engordar ainda mais, diz endocrinologista

Lílian Moraes / 04 de março de 2017
Foto: Rafael Passos/Divulgação
Para eliminar aqueles quilinhos indesejáveis, muitas pessoas acabam recorrendo a dietas drásticas, medicamentos emagrecedores ditos naturais ou até ficando em jejum prolongado. De acordo com o endocrinologista João Modesto Filho, essas medidas podem trazer problemas para a saúde, desde fraqueza até danos sérios nos rins e outros órgãos.

“Tentar emagrecer através de dietas ditas milagrosas ou passando jejum não são as formas mais indicadas, pois causam problemas de saúde como anemias, fraquezas, hipoglicemia, deficiências de vitaminas e sais minerais até mesmo doenças de rins e a pessoa corre o grande risco de ganhar tudo o que perdeu rapidamente e engordar ainda mais”, explicou.

Ele disse que as pessoas que acreditam que, se passarem algum tempo sem se alimentar irão emagrecer com mais facilidade, correm o sério risco de engordar tudo novamente, no chamado efeito sanfona. O organismo precisa de alimentos para que seu metabolismo trabalhe de forma acelerada, favorecendo o emagrecimento, mas, com o jejum, ocorre justamente o contrário, ou seja, o organismo tende a economizar energia e o metabolismo trabalha de forma lenta, “guardando” as gorduras, para conseguir se manter em ordem.

“A sensação de emagrecimento que o jejum proporciona é passageira, pois, ao voltar a se alimentar novamente (já que ninguém consegue manter o jejum por muito tempo), a pessoa volta a recuperar peso, pois o corpo mantém uma reserva maior de energia para se prevenir em uma nova situação de jejum. E o pior, o organismo pode ganhar bem mais peso do que tinha antes de se submeter a essa privação de alimentos”, explicou João Modesto Filho.

Ele disse que a forma mais saudável de emagrecer é aliar a reeducação alimentar e a prática diária de atividades físicas. “Uma dieta saudável deve conter alimentos que combinem sais minerais e vitaminas importantes para o organismo, proteínas e carboidratos para dar energia e vitalidade”, ensinou.

Jejum deve ser evitado a qualquer custo

O jejum traz enormes riscos e prejuízos à saúde, além de o metabolismo agir lentamente, a perda de peso não ocorre da maneira prevista e, em vez de perder a gordura, o organismo elimina apenas os líquidos e massa muscular. Por isso, o mais importante é ter limites na hora de se alimentar e praticar algum tipo de atividade física.

João Modesto Filho alertou que devemos nos alimentar a cada três ou quatro horas e sempre respeitar as três refeições principais do dia, ou seja, o café da manhã, almoço e jantar. Ele lembrou que, um período de jejum de mais de quatro horas, como a maioria das pessoas faz, pode resultar em lentidão de movimentos e raciocínio, perda de memória, suores frios, dores musculares e de cabeça, tontura e até mesmo desmaios. "Esses sintomas, muitas vezes, estão relacionados ao processo de hipoglicemia, isto é, redução da glicose na corrente sanguínea”, disse.

O endocrinologista alertou ainda que se seguir esse horário para se alimentar, pode-se evitar o consumo excessivo, que é um dos efeitos colaterais da prática do jejum. Ele disse que, para quem passa muito tempo fora de casa, o ideal é levar algo para comer, preferencialmente uma fruta.

Emagrecedores ‘naturais’ afetam saúde

Algumas pessoas, na ânsia por perder peso rápido, também recorrem a medicamentos emagrecedores ditos naturais, mas, segundo João Modesto Filho, estes podem causar problemas graves de saúde, incluindo dependência, hipertensão, insônia, arritmia ou falência cardíaca e até mesmo a morte de uma pessoa.

Ele alertou que esses medicamentos, geralmente em forma de chás ou comprimidos, não possuem respaldo científico que comprovem a utilidade e eficácia dessas fórmulas “milagrosas” e lembrou que a maioria deles contém anfetaminas, diuréticos, laxantes, calmantes, inibidores de apetites e hormônio tireoidiano. “Escondidos sob o rótulo de fitoterápicos, eles podem esconder drogas potentes e proibidas pela Anvisa, pois causam transtornos importantes para a saúde humana”, disse.

Para o endocrinologista, um dos principais motivos para alerta é o fato dos fabricantes desses emagrecedores não citarem todos os ingredientes ativos presentes nas fórmulas, cobrindo dos usuários possíveis componentes danosos à saúde.

“Não sabemos o que de fato existe nelas, no entanto, sabemos que muitas fórmulas contêm substâncias que podem causar sérios problemas de saúde. Por isso é muito importante se consultar com um médico especialista antes, para que ele indique o melhor medicamento, se for necessário. Às vezes, uma pessoa compra um produto chamado natural achando que fará bem para sua saúde, mas na verdade está levando para casa algo maléfico”, alertou João Modesto.



Reeducação alimentar é a forma mais segura

João Modesto Filho lembra que não existe fórmula milagrosa para emagrecer e que a forma mais segura e recomendada de perder peso e não recuperá-lo mais é a reeducação alimentar. O emagrecimento deve ocorrer com saúde, paciência e autoconhecimento para que não aconteça o chamado efeito sanfona. Assim, o importante é fazer uma dieta equilibrada e perder entre dois e quatro quilos por mês, pois dessa forma é mais difícil se recuperar o peso de antes.

“Passar fome não emagrece, ao contrário, faz com que a pessoa tenha um peso muito maior do que se tivesse seguido uma alimentação adequada e regular, sem altos e baixos, num verdadeiro efeito sanfona, que é muito mais problemático. O Sistema Nervoso Central precisa de tempo (o mais recomendável é um mês para cada quilo perdido) para assimilar a perda de peso e se manter estável, sem ganho algum. O ideal é perder de dois a quatro quilos por mês e não dez quilos, como prometem muitas dietas por aí”, explicou.

O endocrinologista afirmou ainda que o uso de medicamentos só se faz necessário quando o paciente não consegue emagrecer apenas com dieta e exercícios físicos, sempre alertando que a indicação e acompanhamento médico são fundamentais para o tratamento. E que, quando mais devagar se emagrece, melhor, porque emagrecer rápido demais faz com que a pessoa perca além da gordura, massa muscular (proteína), o que é muito ruim por debilitar o organismo.

Problemas típicos do jejum prolongado

Desatenção

Falta de concentração

Sudorese

Náusea

Sensação de desmaio

Visão turva

Fraqueza

Lentidão de movimentos e raciocínio

Perda de memória

Suores frios

Dores musculares e de cabeça

Tontura

Podendo chegar até ao coma hipoglicêmico

Jejum intermitente

O jejum intermitente quando realizado, deve ser feito com auxilio de profissional capacitado. A informação é da nutricionista funcional Cláudia Oliveira. “Trata-se de um jejum programado e planejado por um tempo determinado, pode ser de 8h, 12h , 18h, 24h, podendo ser realizado uma, duas ou três vezes por semana. Os efeitos do jejum intermitente se baseiam na expressão de fatores como a SIRT-1 e a CPT-1 (dentre vários fatores), ambos envolvidos com aumento da capacidade antioxidante e oxidação das gorduras”, explica.

De acordo com Cláudia Oliveira, estudos recentes tem associado maior expressão da SIRT-1 e CPT-1 em alguns tipos de jejum  como o de 12 h por exemplo. Nesse caso, faz-se  a ultima refeição do dia anterior, o jantar,em seguida dorme-se por no mínimo 8 horas e realiza a próxima refeição as 12h que é o almoço. Não se faz café da manhã e lanche da manhã. Os estudos apresentam resultados como maior oxidação de gordura,diminuição do LDL colesterol, redução dos níveis de insulina, modulação da inflamação.

“O jejum funciona, portanto, porque estimula fatores chaves da oxidação das gorduras, porem, não é para todo mundo que funciona. Para indicar um jejum intermitente o profissional deve conhecer bem seu paciente, conhecer bem seus habitos alimentares e seu perfil genético. Para começar o jejum intermitente a saúde da pessoa precisa estar em dia”, informa a especialista.

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