quarta, 26 de junho de 2019
Saúde
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Isea volta a ser alvo de denúncias quanto à estrutura e condições oferecidas

Wênia Bandeira e Katiana Ramos / 06 de fevereiro de 2019
Foto: Reprodução
O Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande, voltou a ser alvo de denúncias quanto a estrutura e condições oferecidas às mulheres atendidas e aos bebês nascidos no local. De acordo com postagens feitas nas redes sociais por acompanhantes de pacientes, os problemas vão desde falta de atendimento humanitário às gestantes, que ficam em trabalho de parto sentadas em cadeiras de plástico, à superlotação da Unidade de Terapia Intensiva Neo-natal. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM) confirma a situação.

Nas redes sociais, as acompanhantes de pacientes e outras gestantes que presenciaram o descaso no atendimento do Isea, revelam a falta de leitos na área de alto risco além da superlotação da UTI para recém-nascidos.

“Nesse momento a UTI neonatal tem 18 recém-nascidos, quando tem capacidade para dez. Dezoito vidas. Por enquanto são vidas. Não sabemos até quando. E esses, são os sortudos. Porque a partir de agora, quem nascer e precisar de ajuda para respirar, vai morrer sem ventilador. Poderia ser o meu bebê, o seu bebê”, diz uma das publicações que circulam nas redes sociais desde o início da semana.

O vice-presidente, Antonio Henriques, revela que não é a primeira vez que mulheres em trabalho de parto dão a luz nos corredores da maternidade, sentadas em cadeiras plásticas.

A reportagem esteve na unidade hospitalar ontem, mas teve a entrada liberada apenas nas áreas de partos humanitários. Esta ala contava com quartos vagos porque as pacientes passam por uma triagem que leva em consideração idade, tempo de gestação, baixo risco, histórico de saúde, entre outros pontos.

A agricultora Luana Serafim, 24 anos, deu à luz, na última segunda-feira, à Anne Laura, sua terceira filha. Ela afirmou que, além de ganhar a bebê, também ganhou na loteria por ter conseguido ser escolhida para ficar na única ala que a reportagem teve acesso.

“Eu ganhei na loteria por estar aqui, eu estava falando para as enfermeiras. Só o privilégio de estar nessa sala, porque não são todas que têm este privilégio, as salas normalmente são muito cheias e aqui é outra coisa, lá em cima é bem complicado”, contou Luana Serafim. “Lá em cima” que Luana falou é a área de atendimento geral, que recebe também as grávidas de alto risco.

Silêncio

A reportagem tentou contato com diretor-geral do Instituto, Mário Oliveira Filho, e com a secretária municipal de Saúde, Luzia Pinto, mas até o fechamento desta matéria as ligações não foram atendidas.

Nova unidade

Antonio Henriques disse que o Conselho tomou a dianteira na busca por recursos para a construção de uma nova maternidade pública na cidade. Atualmente, o Isea é referência para 160 municípios.

“Temos lutado bastante para interferir na melhoria da assistência. A questão é um problema do Estado porque o Isea não tem condições de continuar dando assistência a tantas cidades, por mais investimentos que tenham sido feitos, não consegue atender a demanda. Por isso, precisa construir outra maternidade”, afirmou.

Esta nova maternidade seria gerenciada pelo Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Antonio Henriques informou que tem a garantia de doação de terreno por parte da Prefeitura Municipal e de gerência do HUAC.

Em 2017

Em dezembro, o Ministério Público da Paraíba identificou superlotação no Isea. Já o Ministério Público Federal implementou medidas para que municípios que recebem verbas façam partos em suas localidades ou repassem os recursos para Campina. O prazo para isso era até 31 de janeiro de 2018.

 

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