segunda, 25 de janeiro de 2021

Saúde
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Intoxicação é um grande riscos para crianças; Trauma atendeu 61 nos últimos 3 anos

Katiana Ramos / 01 de março de 2017
Foto: Arquivo
De ferramentas a produtos de limpeza e veneno contra animais peçonhentos. Tudo isso fica trancado em um quarto na casa da arquivista Janaína Baborsa, longe dos olhos e da curiosidade da pequena Beatriz, que tem 2 anos. No entanto, nem todas as crianças têm essas restrições em casa e correm o risco de intoxicação por produtos químicos. Somente o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa atendeu 161 pacientes com este perfil nos últimos três anos.

É justamente faixa etária da filha de Janaína Barbosa que está o maior risco de intoxicação por produtos químicos e até mesmo medicamentos. Os dados do Hospital de Emergência e Trauma da capital, coletados de 2014 até janeiro deste ano, revelam ainda que 61,4% dos casos de intoxicação aconteceram com crianças entre 1 e 4 anos de idade.

“Deixo tudo trancado nesse quartinho para que ela não se aproxime. Criança é sempre muito curiosa e se a gente desvia a atenção por um segundo já pode acontecer algum acidente”, revelou Janaína Barbosa. A atitude da arquivista é a recomendada pelos médicos para que as crianças não sejam vítimas de intoxicação em casa.

O coordenador da Pediatria do Hospital de Emergência e Trauma da capital, Fabiano Alexandria, explica que as vítimas desse tipo de situação são pacientes que ingeriram produtos de limpeza e até mesmo inseticidas.

“As crianças nessa faixa etária não entendem as recomendações para não mexer nesses produtos e também as embalagens são atrativas e elas acabam tendo acesso. Outra situação são os pais que reaproveitam embalagens de refrigerante e guardam detergentes, desinfetantes. Quando esses produtos ficam ao alcance das crianças é um risco muito grande”, explicou o médico.

Ele alertou ainda que nos casos de crianças com idades de 5 a 12 anos com quadro de intoxicação, o problema na maioria das vezes é ocasionado por acidente e ingestão de alimentos contaminados com algum veneno ou remédios. “Quanto mais a criança cresce, mas fica temerosa. Com crianças maiores, o quadro de intoxicação acontece mais se ela ingerir acidentalmente algum alimento com veneno ou tomar algum remédio por engano”, acrescentou.

Primeiros socorros. Os sintomas mais comuns de crianças com quadro de intoxicação por produtos químicos são sonolência, vômito, diarréia, dor abdominal e perda de consciência. Em nenhuma hipótese os pais ou outras pessoas que encontrarem a vítima nessa situação devem induzir o paciente ao vômito ou fazer com que ela ingira leite, água ou outro líquido.

“A primeira medida é levar a criança ao socorro médico mais próximo e nesse local tentar fazer uma lavagem gástrica para quebrar a absorção das substâncias tóxicas no corpo. Dar leite ou qualquer outro líquido ao paciente nessas condições é totalmente contraindicado, até porque têm produtos químicos que o médico pode induzir o paciente ao vômito e outros que não pode, como água sanitária e soda cáustica. Então, esse primeiro socorro de maneira adequada é fundamental para não agravar o quadro”, alertou o coordenado de Pediatria do Trauma, Fabiano de Alexandria.

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