quarta, 21 de agosto de 2019
Saúde
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Insuficiência cardíaca mata pelo menos uma pessoa por dia na PB

Lucilene Meireles / 09 de julho de 2019
A insuficiência cardíaca (IC) matou pelo menos uma pessoa por dia, na Paraíba, este ano. Dados do Datasus apontam que, de janeiro a abril de 2019, a IC foi responsável por 796 internações no Estado e tem causado mais mortes do que alguns tipos de câncer, como o de mama. O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) mostra que, de janeiro a junho, foram 218 óbitos por IC contra 122 de mama no mesmo período. A IC é um problema que impede o coração de bombear sangue suficiente para o corpo, comprometendo várias funções do organismo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Hoje, Dia Nacional de Alerta à Insuficiência Cardíaca (IC), a orientação é prevenir.

Embora possa se desenvolver repentinamente, de forma geral a insuficiência cardíaca é um mal crônico de longo prazo que pode afetar os dois lados do coração, comprometendo as funções vitais, segundo a SBC. O cardiologista Ricardo Queiroga destacou que a primeira coisa importante é abordar o problema, saber que ele existe, porque a prevalência da doença é muito alta, sendo a principal causa de internação em adultos no Brasil.

Entre os sintomas, o médico ressaltou que o mais prevalente é o cansaço. E para diagnosticar a doença, não são necessários exames sofisticados. O médico afirmou a partir de um ecocardiograma, que é extremamente usual e de fácil realização, os especialistas conseguem fechar o diagnóstico.

As causas, segundo ele, são várias, entre elas, hipertensão arterial, isquemia, doença de Chagas, abuso do álcool, algumas drogas cardiotóxicas, doenças na válvula do coração. “Se não forem tratadas de forma adequada, o coração pode evoluir para a falência. Se é um paciente hipertenso e não tratar o problema, essa falta de cuidado por levar a uma IC no futuro. A mesma coisa com quem tem obstrução das coronárias”, avisou.

Doença não tem cura

A insuficiência cardíaca não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada através da medicação usada corretamente para a causa do problema. “O tratamento está em tomar a medicação. Fazendo o controle da causa melhora o efeito. Com o tratamento, é possível interromper a evolução da doença”, disse o cardiologista Ricardo Queiroga. Em casos mais graves podem ser indicados procedimentos cirúrgicos de correção, como o uso de marcapasso.

“Eu não diria que a IC tem cura, mas tem controle. Em muitas situações, se consegue controlar à base de medicamentos, tratando tanto a causa, além de outras que atuam diretamente no processo. Isso diminui os sintomas e freia a progressão da doença. Já se não tratar, o coração vai ficando fraco e, em casos extremos, pode ser necessário um transplante”.

Para uma pessoa saudável, que não tem problemas coronários, o ideal, segundo o especialista, é uma consulta anual com o cardiologista. Já quem tem alguma patologia, como hipertensão, diabetes, merecem consultas a cada seis meses ou até menos, dependendo da gravidade.

2,8 milhões

É a média de brasileiros afetados pela insuficiência cardíaca, que é a segunda principal doença do coração no país. A IC é também a terceira causa de internação no Brasil em pessoas com mais de 65 anos

Expectativa de vida

A insuficiência cardíaca reduz a expectativa de vida, conforme a SBC. A partir do diagnóstico, cerca de 50% dos pacientes morrem em até cinco anos. Os que têm sintomas graves ou tiveram internações por algum problema cardiovascular apresentam taxa de sobrevida ainda menor – metade morre após um ano. Sem contar com as internações frequentes.

Causas mais frequentes

Hipertensão arterial – agride o coração

Doença coronariana

Uso de álcool – agride o músculo

Uso de algumas drogas, como quimioterápicos

Algumas doenças do coração, como obstrução nas coronárias

Doença de Chagas (causada pelo barbeiro).

Diabetes

Infarto que acometeu uma área grande do coração

Algumas infecções do músculo do coração.

Fonte: Ricardo Queiroga, cardiologista.

DESTAQUE

“A insuficiência cardíaca mata mais do que alguns tipos de câncer. Por isso, a população tem que tomar conhecimento. É uma síndrome complexa que tem como definição a falência do músculo cardíaco. Às vezes, não damos a importância necessária, mas se não tratar de maneira adequada a partir do aparecimento dos sintomas, a mortalidade chega a quase 80% num período de seis anos”.

Ricardo Queiroga, cardiologista.

Óbitos por insuficiência cardíaca – Paraíba

2009 – 765

2010 – 778

2011 – 762

2012 – 730

2013 – 775

2014 – 733

2015 – 686

2016 – 724

2017 – 643

2018 – 696

Total – 7.292

Fonte: Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Internações por insuficiência cardíaca – 2019* – Paraíba

Paraíba – 796 internações e 93 óbitos

João Pessoa – 153 internações e 20 mortes

Campina Grande – 206 internações e 27 óbitos.

Fonte: Datasus/Ministério da Saúde. *janeiro a abril.

7,6

É o número de internações, por dia, em 2018, tendo como causa a insuficiência cardíaca, segundo o Datasus. Ao todo, foram 2.771 entradas hospitalares na Paraíba, com 343 óbitos. Em João Pessoa, foram 699 internações e 96 óbitos, e em Campina Grande, 666 internações e 97 mortes.

Insuficiência Cardíaca



  • Insuficiência cardíaca sistólica – Ocorre quando o músculo cardíaco não consegue bombear ou ejetar o sangue para fora do coração adequadamente

    • Insuficiência cardíaca diastólica – Os músculos do coração ficam rígidos e não se enchem de sangue facilmente.




Sintomas e exames

Cansaço/fadiga

Falta de ar

Edema de membros inferiores

Crescimento do fígado.

Tosse

Ganho de peso

Palpitações

Diminuição da concentração

Náusea

Suor excessivo.

Complicações

Pessoas que tem hipertensão, já sofreram infarto, tem válvulas cardíacas anormais, diabetes, doenças pulmonares, cardiopatia congênitas ou ainda histórico familiar da doença podem ter o risco de desenvolver insuficiência cardíaca aumentado.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)/cardiologista Ricardo Queiroga.

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