terça, 15 de junho de 2021

Saúde
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Inoperância: Hospitais regionais vivem lotados e sem condições de atendimento

Fernanda Figuêiredo / 27 de setembro de 2015
Foto: Antônio Ronaldo
Sem médicos especialistas, hospitais atuam como ‘grandes postos de saúde’, mesmo possuindo leitos de cirurgia e outras especialidades registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes). A inoperância de hospitais menores superlota os hospitais regionais, que passam a atender além de sua capacidade e competência.

Na semana passada, o Jornal Correio trouxe uma reportagem mostrando a situação do Samu, que tem dificuldades de chegar em algumas áreas. Quando os  pacientes são socorridos, acabam caindo nesses hospitais. Aí, ocorre o habitual: o atendimento demora, faltam materiais e a fila de doentes e sequelados só cresce.

Procura-se um médico

Plena tarde de quarta-feira e, debaixo do sol forte no município de Mato Grosso, Sertão paraibano, a reportagem do Correio se depara com seu Raimundo Isaías de Lima, de 74 anos, na frente do Centro de Saúde Jacinta Dociana. O aposentado conta que sentiu uma tontura, suspeitou de pressão alta e foi à unidade.

Ao invés de atendimento, encontrou portões fechados. A frustração só não foi maior porque, segundo ele, médico é coisa rara de se encontrar no hospital - por mais surreal que pareça.

“Hoje achei estranho porque o horário é até as 17h, fechou muito cedo. Mas é assim mesmo, desde que eu me entendo de gente que sei disso, nessas cidades do Sertãozão é a lei do mais forte, e é bom ter saúde de touro, porque se precisar muito de médico, morre ligeiro”, disse seu Raimundo.

Segundo o aposentado, em cidades como Lagoa, Mato Grosso, Riacho dos Cavalos, Jericó, Condado, São Bentinho, entre tantas outras da região, atendimento médico especializado praticamente não existe.

“É assim, se um pobre, como eu, vier aqui no hospital e estiver muito doente, eles encaminham ou pra Catolé do Rocha, ou pra Sousa ou pra Pombal. Em último caso, pra João Pessoa, mas pra lá todo mundo sabe que quem vai só volta em caixão”, disse Raimundo.

Embora os moradores de Mato Grosso chamem o Centro de Saúde Jacinta Dociana de hospital, no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes) ele aparece como clínica/centro de especialidade. O fato é que, além de uma Unidade Básica de Saúde, este é o único estabelecimento de saúde onde as pessoas procuram atendimento.

Leia mais no jornal Correio da Paraíba

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