terça, 02 de março de 2021

Saúde
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Idosos são maiores vítimas de quedas

Luciliene Meireles / 08 de junho de 2017
Foto: Assuero Lima
O avanço da idade pode vir acompanhado de dificuldade de locomoção, dores e problemas nos ossos, o que causa algumas limitações aos idosos e aumenta o risco de quedas. Em 2016, pacientes com idade a partir de 60 anos representaram 26% de todos os atendimentos por queda no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. Este ano, de janeiro a abril, o percentual nesta faixa etária é de 24,5%. Os números indicam que as pessoas na terceira idade são as maiores vítimas de quedas, que podem ser graves e até levar a óbito.

O coordenador médico da Ortopedia do Hospital de Trauma de João Pessoa, Umberto Jansen, ressaltou que é grande o risco de uma queda ter consequências graves. Por isso, a recomendação é sempre procurar atendimento médico após uma queda. “Devido ao quadro de osteoporose, o idoso pode ter uma pequena fratura no fêmur, no punho e muitas que passam despercebidas, principalmente na coluna. No geral, eles só procuram ajuda porque sofreram a queda e não conseguem andar”, constatou.

O especialista explicou que pode acontecer também de um idoso sofrer uma queda, não procurar atendimento e só ter sintomas dias depois. “Existem algumas fraturas que o paciente consegue andar, se mover e entre dez a 15 dias depois, para de andar”, observou.

Além disso, segundo ele, dependendo da intensidade, o trauma pode levar à morte. “Existem alguns traumas que sangram alguns dias e o paciente entra em coma em casa. Na criança, é mais fácil perceber porque provoca sonolência anormal, irritabilidade, vômito. Ela chora e mostra logo que algo errado”, completou.

Ruas sem acessibilidade

 O aposentado Glacion Cassiano da Silva, 82, tropeçou numa calçada, no Centro de João Pessoa, e acabou caindo. O acidente aconteceu há cerca de um mês, mas ele ainda sente algumas dores por conta do impacto.

“Bati o rosto no asfalto e fiquei com um lado todo roxo e inchado. Não fui ao médico e já estou melhor”, contou. A esposa dele tem 66 anos e passou a usar cadeira de rodas após quebrar o fêmur. Ela também sofreu uma queda na frente de casa, quando tentava se locomover na cadeira. Resultado: quebrou o joelho.

Para o aposentado Francisco Alves, 83, o perigo estava dentro de casa. Ele sofreu uma queda no banheiro, enquanto tomava banho. “Machuquei o braço. A pancada foi grande e senti muita dor”, relatou. Nas ruas de João Pessoa, segundo ele, a mobilidade não existe para os idosos.

‘Pequenos’ também sofrem

Entre as crianças, os riscos de queda também são altos, como apontam os números de atendimentos no Hospital de Trauma de João Pessoa. De acordo com as estatísticas, a faixa etária com maior número de ocorrências é entre 1 e 4 anos, e representou uma média de 10% do total de atendimentos em 2016 e nos primeiros quatro meses de 2017. De acordo com o ortopedista Umberto Jansen, os cuidados devem ser maiores em escadas, muros e brinquedos, especialmente na escola, a exemplo do escorregador. As casinhas também oferecem risco porque as crianças sobre e podem cair facilmente.

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