domingo, 16 de junho de 2019
Saúde
Compartilhar:

HU registra 160 casos de esporotricose humana

Lucilene Meireles / 09 de março de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Mais de 160 casos de esporotricose humana foram atendidos no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) em 2018. A constatação faz parte de um estudo que está sendo realizado pelo médico infectologista e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Francisco Bernardino da Silva Neto, e mostra que a Paraíba pode estar vivendo um surto da doença. A micose, transmitida pelo fungo Sporothrix, que normalmente está em gatos infectados, afeta a pele, podendo deixar cicatrizes e, em casos raros, levar à morte.

“A esporotricose é uma micose subcutânea provocada por um fungo. Ela pode comprometer os vasos linfáticos, o que levaria a lesões na pele, e mais raramente, pode atingir outros órgãos, como ossos e pulmão. As sequelas deixadas pela doença geralmente são cicatrizes e, apesar de ser preocupante, dificilmente leva à morte. Só se o paciente for imunodeprimido”, tranquilizou.

Entre os cuidados que a população deve tomar, um dos principais é identificar o animal que está doente. “Nessa identificação, procurar um veterinário para ser feito o diagnóstico e, na medida do possível, o tratamento do animal. É preciso ouvir a autoridade veterinária para ver a viabilidade. No animal, assim como em humanos, a doença tem cura, mas o tratamento é bem mais difícil”, ressaltou. O tratamento dura de três a seis meses.

Em relação ao número de casos repassados, o especialista afirmou que se refere aos pacientes recebidos por ele no ambulatório especializado do SUS, no HU, em João Pessoa, mas há outros dois profissionais realizando o mesmo tipo de atendimento. Ele lembrou que a situação está sendo observada desde 2016 e afirmou que já há casos em 2019.

Por enquanto, o infectologista não tem como estimar as informações de todos os atendimentos no HU e nem dizer quais os bairros mais afetados, porque os dados ainda não foram consolidados.

Conforme o médico, informações detalhadas só poderão ser divulgadas quando o estudo for publicado. Porém, neste momento, a pesquisa está em fase de elaboração de projeto e depois segue para a banca de qualificação.

400 animais contaminados



Quase 400 casos de esporotricose em animais foram confirmados em João Pessoa pelo Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses (CVAZ), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e o bairro com maior concentração de casos é Mangabeira, mais especificamente, no Cidade Verde. A informação é do gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses, Nilton Guedes.

Embora sem citar o número fechado do bairro, ele afirmou que a localidade é a que apresenta a maior quantidade de casos de esporotricose em animais, e lembrou que os dados se referem ao período de junho a dezembro de 2018.

Por conta desses dados, a Secretaria de Saúde de João Pessoa está alertando a população para os cuidados com a esporotricose. Por ser uma zoonose facilmente transmitida e perigosa, a SMS chama a atenção para os cuidados.

Os gatos são os mais acometidos pela doença, já que entram em contato com o fungo na terra e nos jardins que frequentam ou com outros animais contaminados. Já nos seres humanos, a infecção acontece quando o Sporothrix entra em contato com a pele ou mucosa por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira; contato com vegetais em decomposição ou contato com animais contaminados.

A médica veterinária do Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses (CVAZ) da SMS, Suely Ruth Silva, explicou que a esporotricose é uma doença que acomete os felinos e é transmitida por contato tanto entre os gatos, quanto do gato para o ser humano.

“Essa doença é facilmente transmitida através de mordeduras, arranhaduras ou resultante da manipulação dessas feridas que contenham grande quantidade de fungos”, afirmou a médica veterinária.

Se houver suspeitas da doença, o animal deve ser avaliado por um veterinário. Se for em seres humanos, é preciso procurar um dermatologista e infectologista para que diagnóstico e tratamento sejam feitos corretamente.

Prevenção



- Evitar a exposição direta ao fungo;

- Use luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas;

- Utilize também calçados adequados em trabalhos rurais.

Fonte: SMS

Relacionadas