quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Hospital Universitário de João Pessoa confirma o 4º caso de Malária

Beto Pessoa / 04 de maio de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
A malária segue circulando na Paraíba. Mais um caso foi registrado na tarde de ontem, após diagnóstico do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU), em João Pessoa. Desta vez um senhor de 60 anos de idade, residente no município do Conde, Litoral Sul, deu entrada no hospital. Com este caso, sobe para quatro o número de infectados no Estado. Especialistas acreditam que ações mais efetivas precisam ser executadas.

O paciente diagnosticado ontem iniciou o tratamento na quinta-feira no município de origem, mas devido a complicações foi encaminhado para atendimento no HU. Nesta semana, outros dois pacientes, um de 9 e outro de 17 anos, foram levados ao hospital com suspeita da doença, que após exames foi descartada.

Médica infectologista no HU e professora de Medicina na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Clarissa Madruga explica que, enquanto faltarem ações mais pontuais nas residências e regiões com índice de infestação, o problema não vai deixar de existir. A especialista não vislumbra um futuro positivo no combate ao vetor.

“O poder público poderia, por exemplo, retomar o trabalho da Sucam. Eram pessoas treinadas, que iam de casa em casa fazer visitas e procurar focos. Isso gerava maior conscientização, mas também um mapeamento. Foi assim que se erradicou a febre amarela, assim que a malária ficou restrita e que a dengue era controlada. É preciso mais ações do Estado e do Ministério da Saúde”, disse.

Para a médica e pesquisadora, somente o trabalho do fumacê não pode combater novos casos. “O fumacê é perigoso porque mata várias espécies de insetos, contamina a água e pode ser tóxico para animais domésticos e humanos. É preciso usá-lo somente em pontos onde se tem a transmissão e realizar um trabalho de vigilância ambiental, que está sendo desmanchado em todo o País. É preciso armadilhas para capturar os insetos e verba para infraestrutura neste combate. Hoje o que se consegue efetivamente é via pesquisa científica das universidades, que está sendo desmanchada pelo Governo Federal”, disse.

Via assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que as ações de combate ao vetor não estão aquém do necessário. O CORREIO foi informado que esta é uma doença transmitida por um mosquito da região e este é o período que os casos vão surgindo. Todas as assistências estão sendo adequadas, tanto que não há óbitos. A SES avalia que os quatro casos diagnosticados são considerados baixos e o Ministério da Saúde está na Paraíba acompanhando as ações.

Ações no Conde



Em abril, após a confirmação dos casos no Estado, as ações de combate ao mosquito transmissor da doença, a exemplo do carro fumacê, foram intensificadas pela SES para evitar um surto. A população de Conde também recebeu orientações sobre prevenção, evitando, por exemplo, água acumulada e lixo a céu aberto, que podem se tornar criadouros.

A Vigilância Epidemiológica (Viep) de João Pessoa informou que, em 2019, não foi registrado nenhum caso de malária na Capital. A média, por ano, na cidade, é de três a seis registros, mas sempre de pessoas que vieram de outros locais. Já o Ministério da Saúde esclareceu que a maioria dos casos no Brasil ocorre na região Amazônica. Porém, é necessária atenção no restante do país, pois mesmo havendo poucas notificações, a letalidade maior do que na região Amazônica.

Registro de mortes. Dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) apontam que entre 2008 e 2018 ocorreram dois óbitos por malária no Estado. Porém, a SES negou que tenham ocorrido mortes pela doença na Paraíba e que o dado pode ser um erro no sistema.

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