sexta, 19 de julho de 2019
Saúde
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Hipertensão atinge 150 pessoas nos primeiros meses de 2019 na Paraíba

Aline Martins / 24 de abril de 2019
Foto: Arquivo/Imagem ilustrativa
Fator de risco para o surgimento de doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial (comumente conhecida por pressão alta) é uma doença silenciosa e preocupante, pois é uma das principais causas de morte em todo o País. Nos últimos cinco anos, 6.160 pessoas foram internadas na Paraíba em decorrência de doenças hipertensivas. Somente nos dois primeiros meses deste ano já foram 150, conforme dados dos Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Na próxima sexta-feira, 26 de abril, é lembrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) e Sociedade Paraibana de Cardiologia organizam uma ação de orientação e conscientização em um shopping da Capital. Estima-se que 481.397 pessoas tenham hipertensão no Estado.

Há 17 anos, a aposentada Maria da Guia de Oliveira, 58 anos, descobriu que sofria de hipertensão. Ela contou que ficou sabendo da doença após um desentendimento com o patrão. “Dessa vez foi emocional. Fiquei tonta, como eu trabalhava na época em frente ao Hospital Antônio Targino (em Campina Grande), meus colegas me levaram imediatamente com a pressão 18/12”, comentou. Para o acompanhamento, a aposentada contou que vai ao cardiologista e toma medicamentos para controlar. No entanto, contou que caminha, mas não com frequência.

Assim que tomou conhecimento do problema, retirou o sal da alimentação. “No início fiquei com muito medo. Subiu demais, dessa vez foi emocional. Depois descobri que era hereditária. Hoje não sinto muita dificuldade não. Até minha filha já se acostumou a comer sem sal”, revelou.

Além do coração, a hipertensão pode afetar a visão, o cérebro, os vasos e os rins, podendo ocasionar insuficiência renal, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica, infarto do miocárdio e, até mesmo, acidente vascular cerebral (derrame). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão arterial é a principal causa de morte no mundo, por estar associada ao aparecimento de diversas outras doenças.

Segundo o cardiologista e integrante da Sociedade Paraibana de Cardiologia, Helman Martins, em 95% dos casos a hipertensão que é tida como primária não tem causa definida. Porém o histórico familiar associado com o meio ambiente pode desenvolver a doença. “Filhos de pessoas hipertensas são mais propensos a ter, dependendo da dieta alimentar”, comentou.

Outros fatores estão ligados ao surgimento da hipertensão como obesidade, uso de anticoncepcional (em mulheres mais sensíveis), sedentarismo e estresse psicossocial. Já sobre o tabagismo, o médico comentou que o cigarro potencializa a pressão durante o consumo e não seria uma causa direta a doença. Por ser silenciosa, a ausência de sintomas atrapalha o diagnóstico, sendo que uma das medidas para descobrir se uma pessoa é hipertensa é aferir a pressão regularmente. Em um adulto, o cardiologista, Helman Martins, explicou como a pressão alta é caracterizada.

“Conceitualmente para o adulto é quando a pressão máxima, a pressão sistólica, é igual ou acima de 140 e a mínima, igual ou acima de 90. Isso quando há persistência dessa elevação”, comentou.

No entanto, se uma pessoa aferiu a pressão e naquele dia e horário resultou em um valor considerado alto, o médico lembrou a necessidade de um segundo acompanhamento, pois um aumento ocasional da pressão não indica necessariamente que a pessoa seja hipertensa. Deve-se verificar a pressão em dois momentos: quando o paciente chega e quando estiver mais tranquilo. Uma das formas de avaliar se uma pessoa tem é também fazer Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (Mapa), que mede a cada 15 minutos a pressão.

O cardiologista comentou ainda que o tratamento pode não ser medicamentoso, apenas o controle do sal, perda de peso e uso moderado de bebidas alcoólicas (duas doses para homens e uma para mulheres). Já para aqueles que necessitam de medicamento, isto ocorre com o uso contínuo. Enquanto o diagnóstico é feito através do exame da pressão arterial e deve, preferencialmente, ser feita por um médico de confiança, pois inúmeros fatores podem influenciar no resultado, por exemplo, dor, ansiedade, eventualmente um aparelho com calibração inadequada, entre outros.

Evento sensibiliza para a prevenção



Conforme estimativa do Ministério da Saúde, baseado no Pacto pela Saúde, em torno de 22,4% da população acima de 18 anos do Estado é hipertensa. Por essa estimativa, há 481.397 hipertensos na Paraíba, atendidos pela Atenção Básica dos 223 municípios do Estado. Na próxima sexta-feira, a Sociedade Paraibana de Cardiologia junto com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) farão uma ação das 11h às 14h, no Tambiá Shopping, no Centro de João Pessoa.

De acordo com a SES-PB, na ocasião, o público terá acesso a serviços de forma gratuita, com orientações sobre a hipertensão, além de aferição de pressão arterial. O objetivo do evento é sensibilizar a população para a importância da prevenção e controle da hipertensão arterial, orientando quanto aos fatores de risco.

O evento é uma parceria da SES com a Sociedade Paraibana de Cardiologia (SBC-PB), Liga Acadêmica de Cardiologia e Cirurgia Cardíaca da Paraíba (LACC), Liga Acadêmica de Cardiologia da Paraíba (CardioLiga-PB) e do shopping.

Mortes. Segundo a SES-PB, em 2018, 1.167 pessoas morreram com hipertensão. Já em 2019, foram 244 mortes do início do ano até o fim de março.

Sintomas: Dores no peito; dor de cabeça; tonturas; zumbido no ouvido; fraqueza; visão embaçada; sangramento nasal.

Prevenção: Manter o peso adequado, se necessário, mudando hábitos alimentares; não abusar do sal, utilizando outros temperos que ressaltam o sabor dos alimentos; praticar atividade física regular; aproveitar momentos de lazer; abandonar o fumo; moderar o consumo de álcool; evitar alimentos gordurosos; controlar o diabetes.

 

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