terça, 11 de dezembro de 2018
Saúde
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Geração miopia: dispositivos móveis agravam problema já na infância

Katiana Ramos / 22 de julho de 2018
Foto: Rafael Passos e Assuero Lima
Com o mundo cada vez mais conectado onde tudo está ao alcance de um click, é praticamente impossível manter as crianças fora da praticidade da tecnologia dos dispositivos móveis. Foi-se o tempo em que os pequenos ficavam apenas ligados na televisão. Agora, desenhos animados e games, são vistos por tablets e celulares. O custo dessa mudança, entre outras consequências, é o aumento de casos de miopia em crianças cada vez mais cedo.

Há estudos que já indicam a relação entre o uso frequente de dispositivos móveis com o surgimento ou até mesmo agravamento da miopia no público infanto-juvenil. “Por muitos anos acreditou-se que o grau dos olhos era resultante apenas da genética, mas hoje sabemos que o ambiente também pode influenciar”, afirma o oftalmologista Rubens Belfort. Ele acredita que “a mudança de hábitos, principalmente na infância, podem estar relacionadas ao aumento da miopia na população mais jovem. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2010 27% da população mundial era míope e projeta para 2050 taxa de 52%, sendo que o grau desses míopes também está aumentando”, alerta o médico da Clínica Belfort e professor da Escola Paulista de Medicina.

Influência genética

O oftalmologista e diretor de cursos da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), Arlindo Portes, lembrou que existe a influência genética que contribui para o desenvolvimento da miopia e reforça que o uso de dispositivos móveis por tempo prolongado está entre os vilões da saúde ocular.

Edjane Leite sabe bem o que significam as dificuldades enfrentadas por crianças que sofrem de miopia. No ano passado, dois dos três filhos delas se queixavam frequentemente de dores de cabeça. Ela então resolveu levar as três crianças ao oftalmologista e as três foram diagnosticadas com miopia.

“Se queimavam de dor de cabeça e como na minha família tem um histórico muito grande de miopia, eu resolvi fazer exames. Foi o primeiro exame que eles fizeram e já começaram a usar óculos. O médico não falou se (o problema) estava relacionado ao uso de celular, mas orientou não olhar para telas muito de perto e sempre usar óculos pra assistir ou jogar”, contou Edjane Leite.

Já acostumados com os óculos, Gabriela, Eduardo e Davi não fazem as atividades escolares ou brincadeiras sem o acessório e não se importam com as piadas sem graça que, às vezes, escutam de alguns colegas na escola. “Têm as ‘brincadeirinhas’ na escola de chamar de ‘quatro olhos’ mas nunca foi algo que incomodou. Eles aceitaram e se adaptaram muito bem”, complementou a mãe.



Problemas ainda na primeira década de vida

A miopia e outros problemas na visão em crianças têm afetado o grupo etário de crianças ainda na primeira década de vida, segundo os médicos. O oftalmologista Arlindo Portes, da SBO, afirma que a miopia é detectada inicialmente em crianças na faixa etária dos 10 aos 13 anos. “Além disso, temos a falta de atividades ao ar livre em crianças que tem muitas horas diárias de atividades visuais que exigem a visão de perto, como por exemplo: a leitura”, complementou o médico.

As filhas de Rosana Cavalcanti e Jaqueline Gama têm miopia e atestam a mudança no perfil das crianças que têm sido atendidas nos consultórios dos oftalmologistas. “Comecei desconfiar porque eu ia buscá-la na escola e ela sempre era a última a terminar a tarefa, quando era para escrever o que estava copiado no quadro. A professora colocou ela para sentar na frente, mas, mesmo assim, não ajudava. Foi quando ela conversou comigo e me orientou a levar no oftalmologista”, relatou Rosana, mãe de Rebeca, que tem 11 anos e tem miopia desde os sete.

Foi também na escola que Jaqueline Gama, mãe de Nicole, de seis anos, desconfiou que a filha sofresse de algum problema na visão. Com o diagnóstico de miopia e outros casos na família, Jaqueline conta que uma professora a alertou sobre o problema. “Em casa, às vezes ela via a televisão bem de pertinho, sentia um pouco de dor de cabeça, contava que não conseguia enxergar o quadro direito e a agenda dela vinha toda errada”, lembra a mãe.

Jaqueline disse ainda que, em apenas um ano, o problema se agravou. “O médico pediu pra fazer um acompanhamento de seis em seis meses, pois quando ela foi pela primeira vez no oftalmologista ja acusou 1 grau e meio. Como ela esta crescendo muito, o grau também está aumentando. Levei ela recentemente, pois o óculos dela quebrou, e ela já está com 2.5 em um olho e no outro 2.25”, acrescentou Jaqueline.

 

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