quinta, 22 de agosto de 2019
Saúde
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Fonoaudióloga fala sobre o Dia de Conscientização da Apraxia de Fala na Infância

Katiana Ramos / 15 de maio de 2019
Foto: Arquivo pessoal
O dia 14 de maio é lembrado o Dia da Conscientização da Apraxia de Fala na Infância (AFI). De difícil diagnóstico e necessidade de tratamento multiprofissional,  a AFI é um distúrbio neurológico que atinge a produção motora dos sons da fala e afeta, segundo estimativas, pelo menos uma a cada grupo de mil crianças no mundo. Contudo, a descoberta prematura do problema permite que a criança se desenvolva melhor e ganhe mais qualidade de vida.

A fonoaudióloga Jacqueline Teixeira, que atua no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, lembrou que os sinais mais perceptíveis da AFI é a dificuldade na fala, desde a pronúncia de palavras até frases inteiras. “A criança sabe o que ela vai falar, só que o cérebro não manda as informações necessárias para os músculos da fala, para eles exercerem sua função. A criança fica procurando o ponto articulatório (por exemplo, para falar lata, fala cata, bata até chegar a palavra lata. Pode apresentar lentidão ao falar, instabilidade na fala, alteração na prosódia (melodia fica estranha)”, relatou a fonoaudióloga.

Para os pais, ela alertou que é preciso ficar de olho em bebês muito quietos que balbuciam poucos. Já nas crianças mais crescidas é preciso ainda que os pais notem se há dificuldades motoras para mastigar os alimentos ou se vestir.

Assim, para tirar qualquer suspeita e até mesmo tratar a AFI, caso o diagnóstico seja positivo, o ideal é levar a criança a um fonoaudiólogo com conhecimento no assunto. “Esse profissional vai fazer uma avaliação de linguagem, da intenção comunicativa da criança, motricidade oral porque muitas vezes essa condição é confundida com autismo. Mas na apraxia existe uma intenção comunicativa. Também é importante a avaliação de outros profissionais como neuropediatra, terapeuta ocupacional, psicólogo”, acrescentou Jacqueline Teixeira.

Cuidados. A pequena Fernanda, de seis anos, foi diagnosticada com AFI aos quatro anos de vida e, além de consultas semanais com fonoaudiólogos, ela ainda tem o acompanhamento de psicopedagogo e terapeuta ocupacional. Os avanços no desenvolvimento da menina, segundo a mãe, tem sido notados a cada dia. “A rotina dela demanda muita atenção dos pais. Ela é tranquila, adora brincar, faz natação com o pai, interage normalmente com outras crianças, vai a escola. Assim que soubemos do diagnóstico nós buscamos todos os tratamentos possíveis e, como mãe, tento aprender. Noto que ela tem evoluído muito bem”, frisou Egilene Correia, mãe de Fernanda.

A fonoaudióloga Jacqueline Teixeira destacou que esse acompanhamento multiprofissional é de suma importância para o desenvolvimento da criança diagnosticada com AFI.

"A intervenção precoce é muito importante, pois é mais fácil ajustar uma criança quando ela começa a falar, no início da vida, até porque esse distúrbio, se não tratado, pode acarretar problemas na leitura e na escrita da criança" falou a fonoaudióloga Jacqueline Teixeira.

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