quinta, 01 de outubro de 2020

Saúde
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Fila para cirurgia bariátrica anda a passos de tartaruga na Paraíba

Lucilene Meireles / 25 de janeiro de 2017
Foto: Assuero Lima
O número de cirurgias bariátricas aumentou 7,5% no Brasil em 2016 na comparação com o ano anterior, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). A Paraíba acompanhou o crescimento, mas apenas no que se refere às intervenções via convênio ou particulares. Pelo SUS, a fila não anda. “Continua estagnado porque o único serviço é o Hospital Universitário que anda a passos de tartaruga”, afirmou o presidente da SBCBM, na Paraíba, cirurgião Augusto de Almeida Júnior. Em todo o Estado, são mais de 100 mil obesos mórbidos que precisam de cirurgia.

“Digamos que 10 mil tenham plano de saúde. Os outros 90 mil entram numa fila sem fim. Enquanto eu operei mais de 200 pacientes só no ano passado, o HU não chegou a 100 cirurgias pelo SUS no total. Eram 73 em junho de 2016. Tentamos montar o serviço, mas nos deparamos com a burocracia do governo”, lamentou o médico. Segundo ele, no Rio Grande do Norte, são realizadas pelo menos quatro reduções de estômago por semana pelo SUS. Já a Paraíba não chega a uma por mês. Este ano, nenhum paciente foi operado porque o centro cirúrgico do HU está em reforma.

Só em João Pessoa, conforme o cirurgião, vários hospitais públicos teriam condições de realizar a cirurgia, a exemplo do Edson Ramalho, Ortotrauma, Santa Isabel. “No Santa Isabel, estavam tentando fazer, mas não era credenciado pelo Ministério da Saúde e o processo foi suspenso, diminuindo ainda mais a esperança de quem aguarda. Não consigo entender por que isso acontece”, lamentou.

Augusto de Almeida Júnior lembrou que, em junho passado, a vereadora Elisa Virgínia pediu uma audiência pública para ver como estava o processo de cirurgia bariátrica para o SUS, mas nenhum vereador compareceu. “Estive lá representando a Sociedade, e os órgãos que foram chamados para dar resposta pelo descaso mandaram representantes que não sabiam nem do que se tratava, falando que a prefeitura estava investindo em praças”, criticou.

Espera. A espera da professora Keyla Teixeira da Silva por uma cirurgia bariátrica se arrasta há três anos, mas ela está prestes a perder a esperança de passar pelo procedimento que poderia devolver sua saúde. Aos 43 anos e com apenas 1,53m de altura, ela pesa 120. Atualmente, conta com acompanhamento psicológico e com endocrinologista no grupo bariátrico do HU, em João Pessoa. Porém, enquanto espera, vem somando mais problemas de saúde. Os mais recentes: diabetes e insuficiência renal. “Ainda estou na peleja. Espero desde 2014. Já são três anos”, disse.

R$ 38 mil. É o valor que pode chegar uma cirurgia bariátrica que custa, no mínimo, R$ 22 mil. O alto custo está relacionado ao valor dos instrumentos e também aumenta conforme a situação de cada paciente.

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