domingo, 19 de maio de 2019
Saúde
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Faltam medicamentos no Hospital Napoleão Laureano, em JP

Lucilene Meireles e Katiana Ramos / 02 de abril de 2019
Foto: CRM/Divulgação
Falta de medicamentos para pessoas em tratamento contra o câncer e uma fila com mais de 500 pacientes para radioterapia. Os problemas foram constatados ontem, durante uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM- PB) realizada no Hospital Napoleão Laureano, que é referência no tratamento de neoplasias na Paraíba. A situação também foi tema da reportagem “Sem recursos, Laureano tem falta de remédios para câncer”, publicada pelo CORREIO, na edição do dia 22 de março. Diante do quadro, o CRM-PB vai acionar o Ministério Público Federal (MPF) para que o Hospital não feche as portas.

O diretor de Fiscalização do CRM-PB, João Alberto, lembrou ainda que, do ponto de vista ético e do exercício da Medicina, não foram constatadas irregularidades.

Por meio da assessoria de comunicação, o MPF informou que já existe um procedimento no órgão que apura problemas no funcionamento do Hospital Napoleão Laureano com relação ao desequilíbrio financeiro da unidade. O processo está na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. O órgão aguarda o envio desse novo relatório do CRM sobre a fiscalização de ontem.

De acordo com o CRM-PB, estão faltando 17 medicamentos para quimioterapia oral e mais de 70 pacientes com câncer de próstata estão na lista de espera por algum desses medicamentos. Além disso, estão em falta também seis tipos de antibióticos. Também faltam os cateteres das bombas de infusão usadas na quimioterapia, o que prejudica o tratamento. No centro cirúrgico, médicos têm que administrar o uso de antibióticos após os procedimentos, pois é comum faltarem esses medicamentos, além de luvas e soro fisiológico. Funcionários da farmácia disseram que há mais de seis meses enfrentam o problema da falta de estoque de remédios. Funcionários – que preferiram não se identificar – afirmaram que a crise nunca foi tão grave no hospital, e que a unidade, apesar de todo o esforço, não tem conseguido atender à demanda.

“A rotina dos pacientes que irão iniciar o tratamento tem sido difícil. Ele faz a consulta com o oncologista, é encaminhado para a quimioterapia para iniciar a medicação, mas chegando ao setor deixa um telefone de contato para que um funcionário do hospital lhe telefone para avisar que chegou o medicamento. Verificamos que vários pacientes estão passando por isso”, disse o médico fiscal do CRM-PB, Marnio Solermann.

Na última reportagem do CORREIO mostrando a situação precária do Laureano, os pacientes vinham enfrentado 15 dias sem a medicação necessária para realizar as sessões de quimioterapia e radioterapia. Segundo os pacientes, alguns fármacos que estavam em falta eram a Oxalipatina, para o tratamento de câncer colorretal, o Fluorouracil, usado para inibir o crescimento de células cancerígenas, e o Anastrozol, para câncer de mama, mas a lista tem outros nomes.

Ainda segundo a matéria, um pedido havia acabado de chegar e que, inclusive, pacientes já estavam realizando os procedimentos. O CRM destacou, porém, que a medicação chega, mas acaba no mesmo dia.

Os pacientes que dependem da radioterapia também estão enfrentando dificuldades no tratamento. Há quase dois meses um dos equipamentos sofreu um curto circuito por conta das fortes chuvas e, desde então, está sem funcionar. Já foram gastos mais de R$160 mil e ainda não há previsão de quando a máquina irá voltar a funcionar.

O diretor de fiscalização do CRM-PB, João Alberto Pessoa, afirma que o hospital vem enfrentando um sério problema financeiro, que precisa ser sanado para que não comprometa ainda mais a saúde dos pacientes. “É preciso que se faça algo com urgência, caso contrário a falência do hospital será inevitável”, disse.

"É uma situação calamitosa, do ponto de vista financeiro. Se o hospital continuar como está, com muitas dívidas e recebendo cada vez mais pacientes, corre o risco de falir e fechar." - João Alberto, diretor de Fiscalização do CRM-PB

Tabela congelada



De acordo com a direção do hospital, 92% dos pacientes atendidos no Napoleão Laureano são do SUS, que está com uma tabela de valores de procedimentos congelada há cinco anos. Mais de 70% dos pacientes com câncer no Estado são tratados no Laureano e, em alguns casos, como pediatria e hematologia, esse número chega quase a 100%. “Este é um hospital importantíssimo para o Estado, não pode ficar dependendo apenas de doações e chegar a este ponto que chegou”, afirmou o diretor de Fiscalização. O CORREIO tentou contato com a direção do Hospital Napoleão Laureano para saber mais informações sobre a situação financeira da instituição. Mas, as ligações não foram atendidas.

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