quinta, 25 de fevereiro de 2021

Saúde
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Falta soro antitetânico na rede pública de saúde; pacientes cão para casa sem medicação

Fernanda Figueirêdo / 21 de julho de 2017
Foto: Reprodução
Pacientes que necessitam tomar o soro antitetânico, no Estado, estão indo para casa sem receber a dosagem indicada para prevenção e tratamento do tétano, infecção aguda e grave, causada por toxina que entra no organismo através de ferimentos ou lesões cutâneas, podendo levar à morte.

Na última terça-feira (18), o pecuarista Bruno Landim se feriu com um prego e foi atendido no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. A direção do local confirmou a falta do soro e disse que a escassez não se limita à Paraíba, mas a todo o país. A esposa de Bruno, Ilva Pequeno Tejo, que é advogada e também estudante de medicina, disse que a equipe médica do hospital ressaltou a necessidade de aplicação do soro. “O problema é que eles disseram que o soro era encaminhado pelo Hospital de Trauma de João Pessoa. Lá eles disseram que o soro também estava em falta. Procurei em todas as clínicas particulares da cidade e não encontrei em nenhuma. Ele está aparentemente bem, mas teve o pé perfurado por um prego, que adentrou uns três centímetros da pele, ficamos muito preocupados”, disse Ilva.

O diretor do Hospital de Trauma de Campina Grande, Geraldo Medeiros, disse que a unidade estava aguardando encaminhamento da Secretaria Estadual de Saúde para repor os estoques do soro. “Na realidade, o problema é que a demanda é maior que a produção. Essa falta não é em Campina Grande, e sim no Brasil inteiro. Ainda é melhor prevenir o tétano através de vacinação. Segundo ele, a diferença entre soro e vacina é que esta última é utilizada como forma de prevenção, estimulando o organismo a produzir anticorpos contra a doença. Já o soro é utilizado como tratamento da doença.

Saúde faz pedido ao MS

A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que o Ministério da Saúde é responsável pelo abastecimento dos imunobiológicos (vacina e soro) para os Estados. “Solicitamos o pedido de rotina ao MS, porém estamos aguardando o envio”, disse a Gerente Operacional de Vigilância Epidemiológica, Izabel Sarmento. Na tarde da última quarta-feira (19), a SES enviou quatro ampolas do soro antitetânico a outro paciente que chegou ao Hospital de Trauma de Campina Grande depois de Bruno. “Hoje pela manhã (quinta-feira) já faz 72 horas que ele se feriu com um prego. A Secretaria, até ontem, continuava prometendo que enviaria o soro para meu marido”, disse Ilva. Até o fechamento desta edição, Bruno continuava sem o soro. Já a vacina contra o tétano, segundo Izabel Sarmento, está disponível nas Unidades Básicas de Saúde.

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