terça, 11 de dezembro de 2018
Saúde
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Falta de hábito de lavar as mãos contribui para infecções hospitalares

Aline Martins e Ainoã Geminiano / 16 de maio de 2018
Foto: Divulgação
Somente nos três primeiros meses deste ano quase 40 mil pessoas precisaram ser internadas na Paraíba, segundo o Ministério da Saúde. O dado preocupante é que, segundo a Comissão Estadual de Controle de Infecção Hospitalar (CECIH), ligada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), cerca de 10% dos pacientes são vítimas de infecção hospitalar.

As infecções mais frequentes são no aparelho respiratório, na corrente sanguínea e infecções urinárias. As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são os setores com maior incidência de infecções, não só pelo estado grave de saúde dos pacientes, mas pela falta de cuidados simples dos profissionais, como lavar as mãos antes de entrar no ambiente. Nessa terça-feira (15), Dia Nacional de Controle das Infecções Hospitalares, a SES convocou as comissões de controle de cada hospital a realizar ações educativas com pacientes e visitantes.

Uma dessas ações aconteceu no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, considerado o maior do Estado. "As infecções afetam em maior número os pacientes graves, que precisam de procedimentos invasivos, como os acessos venosos, pacientes intubados ou que necessitam de sondas. É uma questão de risco-benefício. Eles precisam desses acessos para administração de medicação, por exemplo, mas acabam correndo o risco de alguma infecção", explicou a infectologista Wilcélia de Albuquerque Queiroz, coordenadora do serviço de controle de infecção do Trauma.

O Hospital de Trauma ainda tem uma particularidade preocupante, que é o tipo de público atendido, em sua maioria vítimas de acidentes de trânsito ou feridos por armas. São pacientes que já podem trazer do ambiente externo alguma contaminação infectante. "Antes de serem socorridas essas pessoas ficam expostas no chão. Quanto mais tempo levar para o socorro e quanto mais aberto estiver o ferimento, no casos dos acidentados, maior o risco de já trazerem algum contaminante e desenvolver uma infecção hospitalar", acrescentou a médica.

As infecções hospitalares ganharam uma nova nomenclatura, passando a serem chamadas de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Muitos fatores que podem contribuir para a ocorrência das IRAS, como erros de procedimentos médicos ou de enfermagem mas, segundo a infectologista Wilcélia Queiroz, ainda é frequente a ocorrência de infecção por falta de procedimentos simples, como lavar as mãos antes de ter contato com o paciente. "Muitas vezes o profissional está na correria, querendo atender rápido o paciente e esquece de lavar as mãos, outras vezes negligencia o procedimento. Por isso estamos sempre chamando a atenção, alertando para fazer a higiene das mãos", disse.

Segundo a SES, para prevenir a ocorrência das IRAS, cada instituição de saúde deve implementar um programa de controle de infecção hospitalar. As ações preventivas envolvem desde a exigência do simples ato de higienizar as mãos com água e detergente líquido, até a adoção das medidas de precaução e isolamento até a elaboração e implementação dos protocolos operacionais padrão, que norteiam a realização dos mais diversos procedimentos relacionados à assistência à saúde do paciente.

 

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